Parlamento britânico vai interrogar Rupert Murdoch sobre escândalo dos grampos

Rupert and James Murdoch e Rebekah Brooks Direito de imagem AFP
Image caption Rupert and James Murdoch deporão no Parlamento, assim como Rebekah Brooks

O magnata Rupert Murdoch será ouvido nesta terça-feira no Parlamento britânico a respeito dos escândalos de escutas telefônicas ilegais envolvendo o seu grupo de mídia News Corporation, que controlava o tabloide britânico <i>News of the World</i>.

Os parlamentares querem saber se Murdoch tinha conhecimento das práticas ilegais envolvendo o jornal. As revelações atingiram não apenas o conglomerado, que tem sua sede nos Estados Unidos, como a polícia e o governo britânico.

O depoimento do magnata australiano no Comitê de Mídia do Parlamento está marcado para começar às 14h30 locais (10h30 em Brasília).

Deporão também o filho dele, James Murdoch, presidente-executivo das operações interancionais da News Corp, e a ex-presidente-executiva do braço britânico do grupo, Rebekah Brooks, que deixou o cargo sob pressão por seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos telefônicos e compra de informações de policiais. Ela era a editora do News of the World à época dos grampos.

Brooks foi presa no domingo e solta sob fiança após 12 horas sob custódia.

No que analistas esperam ser um dia intenso no Parlamento britânico, o ex-comissário chefe da Scotland Yard, a polícia londrina, Paul Stephenson, também dará um depoimento, desta vez no Comitê de Assuntos Internos.

Stephenson foi forçado a deixar o cargo após revelações de que ele contratou um editor-executivo do tabloide, Neil Wallis, como consultor de comunicação da Scotland Yard. Wallis também está envolvido no escândalo dos grampos.

Além dele, será ouvido o comissário-assistente John Yates, que também deixou o cargo na segunda-feira. Ele era o responsável por checar o histórico de Wallis.

Yates acusou a imprensa de distorcer sua imagem, mas admitiu ter agido errado em 2009, ao não reabrir uma investigação sobre escutas telefônicas ilegais porque, segundo ele, o inquérito representava um "desvio" de suas funções como chefe da unidade antiterrorismo.

<b>Investigação</b>

Na quarta-feira, a ministra britânica do Interior, Theresa May, anunciou a abertura de um inquérito para investigar as acusações de corrupção policial diante de denúncias de que jornalistas do <i>News of the World</i> teriam pago propina à polícia para obter informações.

Para a ministra, a investigação deve tirar lições sobre a relação entre policiais e profissionais da mídia.

O News of the World teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas.

Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas pelo tabloide, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

Na segunda-feira, um ex-jornalista do News of the World foi encontrado morto em sua casa em Watford, a 30 km de Londres.

Sean Hoare foi o pivô de acusações contra o ex-editor do jornal, Andy Coulson, que ocupou o cargo de porta-voz do primeiro-ministro britânico até janeiro, quando os escândalos o forçaram a renunciar.

Segundo o jornalista, Coulson encorajava os funcionários a interceptar mensagens de celular de políticos e personalidades para obter informações exclusivas.

A participação de um ex-alto funcionário do governo britânico na história colocou pressão sobre o premiê, David Cameron. O líder britânico decidiu encurtar uma viagem pelo continente africano para comparecer ao Parlamento na quarta-feira e responder às questões surgidas a partir dos últimos eventos.

Tanto a oposição trabalhista como conservadores dentro do próprio governo têm criticado Cameron por sua decisão de contratar Coulson como seu diretor de comunicação.

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