Obama vê ‘progresso’ na negociação para elevar teto da dívida

Presidente Barack Obama, dos EUA. Getty Direito de imagem Getty
Image caption Republicanos não aceitam proposta de Barack Obama de aumentar impostos dos mais ricos

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta terça-feira que houve "algum progresso" nas negociações entre a Casa Branca e líderes democratas e republicanos no Congresso para elevar o teto da dívida pública do país.

Em mais um dos pronunciamentos à imprensa que têm se tornado quase diários nas últimas semanas, Obama disse apoiar a proposta apresentada horas antes por um grupo de seis senadores democratas e republicanos para diminuir o deficit no orçamento.

O deficit dos EUA está em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 2,3 trilhões) para o ano fiscal que termina em setembro. A proposta também pretende elevar o teto da dívida pública do país – atualmente em US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,4 trilhões).

A proposta prevê o corte de US$ 3,7 trilhões nos próximos 10 anos, por meio de um conjunto de medidas que incluem redução de gastos militares e cortes em alguns programas sociais.

"O problema que temos agora é que estamos na 11ª hora e não nos resta muito tempo", disse Obama, referindo-se ao prazo de 2 de agosto para que o Congresso autorize a elevação do teto da dívida americana.

O governo diz que, caso esse limite não seja elevado até a data, os Estados Unidos poderão ter de deixar de cumprir seus compromissos financeiros.

"Acho que é muito importante nos próximos dias compreender que não temos mais tempo para gestos simbólicos", disse Obama. "É hora de trabalhar para realmente solucionar esse problema."

Impasse

O impasse nas negociações para elevar o teto da dívida se arrasta há semanas.

Apesar de democratas (que controlam o Senado) e republicanos (no comando da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados) concordarem com a necessidade de cortar gastos e reduzir o déficit orçamentário, há muitas divergências sobre a profundidade dos cortes e que programas devem ser afetados.

Um dos pontos polêmicos se refere aos impostos. Enquanto Obama insiste no fim de medidas de redução de impostos que beneficiam a camada mais rica da população, os republicanos se recusam a aprovar qualquer plano que inclua aumento de tributos.

Ainda nesta terça-feira, a Câmara pretende votar uma outra proposta, que inclui cortes imediatos, limita gastos futuros do governo em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e condiciona a elevação do teto da dívida a uma emenda constitucional que estabeleça novas regras de equilíbrio orçamentário.

A Casa Branca já avisou que vai vetar essa proposta, caso seja aprovada no Congresso.

"Acho que a expectativa de todos é a de que essa não é uma medida que possa passar nas duas casas (Câmara e Senado), não é uma medida que eu assinaria e não é equilibrada", disse Obama.

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