Ex-editora diz que só soube de escuta em celular 'há duas semanas'

Rebeka Brooks, no parlamento britânico. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Brooks disse nunca ter estado na residência do primeiro-ministro durante o governo de Cameron

A ex-editora-chefe do jornal News of the Word, Rebekah Brooks, negou nesta terça-feira, em depoimento ao Parlamento britânico, ter tido conhecimento das escutas no celular da adolescente Milly Dowler até o caso estourar, há duas semanas.

O escândalo dos grampos ilegais, que podem ter atingido até 4 mil pessoas, provocou o fechamento do jornal News of the World, o mais vendindo da Grã-Bretanha.

Brooks, que chefiava o semanário à época, chegou a ser presa, no último domingo, renunciando logo depois ao cargo de diretora-executiva do News International, o braço britânico do grupo controlador do jornal, de propriedade do magnata Rupert Murdoch.

Ela disse a um comitê de parlamentares que, assim que soube do grampo no celular de Milly Dowler, escreveu para a polícia.

"A primeira vez que ouvi (a história) foi há duas semanas", disse.

A revelação de que o jornal havia manipulado a caixa-postal do celular da garota Milly Dowler, desaparecida em 2002, fazendo a polícia e a familia acreditarem que ela ainda estava viva, foi o estopim do escândalo que resultou no fim do News of the World.

Brooks negou ter autorizado a escuta na época.

"Não conheço ninguém nem a pessoa certa que autorizaria... ninguém que tenha escutado a caixa-postal de Milly Dowler naquelas circunstâncias", afirmou Brooks. Ela disse, no entanto, que assumiria responsabilidades caso um subordinado seu tenha ordenado as escutas.

Brooks falou a um comitê do Parlamento após o depoimento do magnata Rupert Murdoch e seu filho James Murdoch. O dono da News Corporation, grupo que controlava o News of the World, negou ter conhecimento das escutas à época.

Detetive

Brooks se disse arrependida e afirmou que o que ocorreu com a família de Milly Dowler foi "repugnante".

Ela reconheceu que o News of the World contratava detetives particulares, "como a maioria dos jornais" concorrentes. Negou, no entanto, ter conhecido Glen Mulcaire, um dos agentes envolvidos nas escutas.

Brooks disse que o pagamento aos detetives ocorria por meio de diversos departamentos do jornal.

Também afirmou que só percebeu a "gravidade" do escândalo dos grampos quando vieram à tona escutas telefônicas realizadas contra a atriz Sienna Miller, em 2010.

Ela argumentou, ainda, que a News International agiu "rapidamente e decisivamente" quando se deu conta da extensão dos grampos.

Questionada se havia mentido aos seus superiores sobre as escutas, ela negou-se a responder.

Primeiro-ministro

Em seu depoimento, Brooks tentou mostrar distanciamento do primeiro-ministro David Cameron, que chegou a empregar o seu sucessor no News of the World, Andy Coulson, como chefe de comunicação do governo. Assim como Brooks, ele chegou a ser preso.

Brooks negou ter sugerido o nome de Coulson como assessor de Cameron, alegando que a indicação teria sido do ministro das Finanças, George Osbourne, como já veiculado pela imprensa.

Brooks disse nunca ter estado em Downing Street, na residência do primeiro-ministro, sob o governo conservador de Cameron, mas admitiu ter visitado o local com frequência durante as administrações dos trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown.

A ex-executiva do News International também negou ter acompanhado Cameron, a quem chamou de "amigo" e "vizinho", em uma corrida de cavalos. Disse, ainda, não ter mantido nenhuma conversa "inapropriada" com o primeiro-ministro.

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