Jovens qualificados disputam empregos na China

Atualizado em  21 de julho, 2011 - 05:41 (Brasília) 08:41 GMT
Cerimônia de formatura em universidade chinesa, no inicio de julho (Reuters)

País tem um número crescente de formandos, que são pressionados a obter bons empregos

Munidos de seus CVs, aspirantes rondavam um pavilhão de exposições em Pequim, procurando oportunidades dentro das mais de 200 empresas participantes da feira de empregos.

A feira oferecia vagas em setores tão distintos quanto turismo, educação, mineração e mercado financeiro. Havia vaga até para engraxate profissional.

Um dos que procuravam trabalho ali era Zhang Hui Li.

“Está meio difícil encontrar emprego em Pequim”, disse a jovem de 24 anos, formada em administração.

A economia chinesa continua a se expandir, o que significa que os índices de desemprego são baixos, mas uma das grandes mudanças recentes do mercado de trabalho do país é o crescente número de recém-formados procurando uma chance profissional.

O número de formandos é atualmente seis vezes maior do que há uma década – mais de 6 milhões no total. Trata-se da maior quantidade de formandos de que se tem notícia no mundo.

Ao mesmo tempo em que há mais oportunidades no país, a competição é cada vez mais acirrada.

O desafio real dos jovens é conseguir um bom emprego.

Neste ano, mais de 1,4 milhão de pessoas se candidataram a vagas em serviço social, mas apenas 16 mil vagas estavam sendo oferecidas.

Apesar de ter se formado há apenas um mês, Zhang Hui Li disse já ter se candidatado a mais de 30 empregos. “Alguns dos meus amigos se inscreveram em mais de cem (vagas)”, ela conta.

‘Altas expectativas’

As autoridades chinesas tentam, agora, diminuir o ritmo da expansão da educação superior.

“Eles perceberam que é um problema produzir estudantes com altas expectativas”, afirma Zhang Dong Hui, professor-associado de políticas públicas na Universidade Renmin, em Pequim.

E essa expectativa tem crescido. Reformas econômicas vêm transformando a China nas últimas três décadas: já se foi o tempo em que os empregos eram distribuídos pelo governo – isso terminou em 1981.

Negócios privados se expandiram, ajudando a erguer a segunda maior economia do mundo.

No entanto, Xie Yan, um bem-sucedido corretor imobiliário cuja empresa emprega dezenas de pessoas, acredita que muitos dos formandos chineses simplesmente não são suficientemente capazes.

“Eles parecem ser capazes de fazer qualquer coisa”, opina Xie. “Muitos aprenderam coisas sofisticadas, mas, na verdade, não tem habilidades específicas.”

Política do filho único

Pouco tempo depois da feira de empregos, a reportagem da BBC voltou a se encontrar com Zhang Hui Li, que contou ter encontrado um trabalho, mas desistido dele após alguns dias. “Não era o trabalho perfeito para mim.”

Ela se considera sortuda – seus pais pagam pela manutenção de seu apartamento, no centro de Pequim, enquanto ela procura emprego.

Mas, na China, a questão não é apenas encontrar um trabalho para o sustento próprio. Por conta da política do filho único, é comum que recaia sobre os jovens a responsabilidade de sustentar seus pais, ou até mesmo seus avós.

Com pouca ajuda estatal, esses jovens sentem uma enorme pressão para encontrar uma oportunidade profissional bem remunerada.

“Não me preocupo com meu futuro agora”, disse Zhang Hui Li, acrescentando, porém, que à medida que seus pais envelhecerem a pressão crescerá.

Mas ela se mantém otimista. “É só uma questão de tempo até que eu encontre um bom emprego.”

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