Merkel e Sarkozy criam ‘posição comum’ antes de reunião sobre crise grega

Sarkozy e Merkel, em encontro nesta quarta (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Líderes das maiores economias da zona do euro não detalharam seu acordo

Às vésperas de um encontro que tentará resolver a crise da dívida grega e evitar o contágio a outras economias da zona do euro, os líderes da França, Nicolas Sarkozy, e Alemanha, Angela Merkel, disseram nesta quarta-feira que levarão uma “posição comum” à reunião.

Os líderes das duas maiores economias da zona do euro conversaram por sete horas em Berlim, e um comunicado da Presidência da França informou que Sarkozy e Merkel “chegaram a um acordo em uma posição franco-alemã”, sem dar mais detalhes.

Mas sabe-se que Merkel vinha insistindo em que credores privados também participem do socorro financeiro à Grécia, de forma que o fardo não recaia apenas sobre os impostos pagos pelos cidadãos europeus.

Segundo a agência Reuters, citando fontes da delegação francesa, a posição comum bilateral incluiria uma contribuição do setor bancário europeu.

Os detalhes da proposta franco-alemã serão levados ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, antes do começo do encontro desta quinta, que ocorrerá em Bruxelas.

A União Europeia debate um segundo pacote de resgate para a Grécia, na tentativa de evitar a moratória do país e o contágio da crise para outras nações periféricas e também endividadas, como Portugal e Irlanda.

O presidente da Comissão Europeia (braço executivo do bloco), José Manuel Barroso, disse que “ninguém deve ter ilusões: a situação é muito séria e requer resposta. Caso contrário, as consequências negativas serão sentidas em todos os cantos da Europa e além”.

A Grécia começou a receber seu primeiro pacote de resgate em maio do ano passado, mas a crise da dívida continua a minar a confiança nos mercados financeiros globais, e há analistas que colocam em xeque a própria sobrevivência do euro.

Divergências

Apesar do consenso sobre a seriedade da situação e sobre a necessidade de um novo pacote de resgate para Atenas, há divisões entre os políticos quanto à melhor maneira de resolver a crise.

Muitos acreditam que o resgate será um mero curativo, que não resolverá a essência do endividamento grego.

Atenas já vem implementando uma série de impopulares medidas de austeridade, incluindo cortes de gastos e aumentos de impostos, cujos resultados ainda são incertos.

Parte dos políticos e analistas europeus defende a reestruturação da dívida, adiando os pagamentos de vencimentos de curto prazo.

A Alemanha defende uma solução nessa linha, em que investidores privados, em especial bancos de grande porte, participem da reestruturação.

Já o Banco Central Europeu se opõe com veemência à proposta alemã, argumentando que a reestruturação seria vista como um calote sob os olhos dos credores internacionais e das agências de classificação de risco, reduzindo a confiança externa sobre o euro.

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