Europa tenta acordo para ajudar Grécia e evitar contágio

Sarkozy e Merkel, em encontro nesta quarta (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Líderes das maiores economias da zona do euro não detalharam seu acordo

Líderes europeus estão reunidos nesta quinta-feira em Bruxelas, na Bélgica, para buscar um acordo para tentar resolver a crise da dívida grega e evitar o contágio a outras economias da região.

Na quarta-feira, após uma reunião de mais de sete horas, os líderes das duas maiores economias da zona do euro - o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a premiê alemã, Angela Merkel - chegaram a uma proposta comum para a reunião desta quinta-feira.

Os detalhes da proposta não foram divulgados, mas especula-se que o plano poderia incluir uma restruturação da dívida grega.

Sabe-se ainda que Merkel vinha insistindo em que credores privados também participem do socorro financeiro à Grécia, de forma que o fardo não recaia apenas sobre os impostos pagos pelos cidadãos europeus.

Outro ponto polêmico da proposta seria a possível criação de uma taxa sobre os bancos para ajudar a financiar novos pacotes de ajuda.

Ao chegar ao encontro em Bruxelas, na manhã desta quinta-feira, porém, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Juncker, disse não acreditar em um consenso sobre a criação da taxa sobre os bancos.

"Eu não acredito que haverá um acordo sobre o assunto", disse.

Contágio

A União Europeia debate um segundo pacote de resgate para a Grécia, na tentativa de evitar a moratória do país e o contágio da crise para outras nações periféricas e também endividadas, como Portugal e Irlanda.

O presidente da Comissão Europeia (braço executivo do bloco), José Manuel Barroso, disse que “ninguém deve ter ilusões: a situação é muito séria e requer resposta". "Caso contrário, as consequências negativas serão sentidas em todos os cantos da Europa e além”, afirmou.

A Grécia começou a receber seu primeiro pacote de resgate em maio do ano passado, mas a crise da dívida continua a minar a confiança nos mercados financeiros globais, e há analistas que colocam em xeque a própria sobrevivência do euro.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou por telefone com Merkel na terça-feira para enfatizar a importância da resolução da crise da dívida europeia para sustentar a recuperação econômica global.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) também pediu aos líderes europeus que tomem medidas "rápidas e decisivas" e afirmou que o adiamento de uma decisão poderá ser "altamente custoso" para a economia global.

Divergências

Apesar do consenso sobre a seriedade da situação e sobre a necessidade de um novo pacote de resgate para Atenas, há divisões entre os políticos quanto à melhor maneira de resolver a crise.

Muitos acreditam que o resgate será um mero curativo, que não resolverá a essência do endividamento grego.

Atenas já vem implementando uma série de impopulares medidas de austeridade, incluindo cortes de gastos e aumentos de impostos, cujos resultados ainda são incertos.

Parte dos políticos e analistas europeus defende a reestruturação da dívida, adiando os pagamentos de vencimentos de curto prazo.

A Alemanha defende uma solução nessa linha, em que investidores privados, em especial bancos de grande porte, participem da reestruturação.

Já o Banco Central Europeu se opõe com veemência à proposta alemã, argumentando que a reestruturação seria vista como um calote sob os olhos dos credores internacionais e das agências de classificação de risco, reduzindo a confiança externa sobre o euro.

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