A um ano dos jogos, Londres acelera o ritmo dos preparativos

Segurança

Estádio Olímpico de Londres. PA Direito de imagem PA
Image caption A cidade e as autoridades se preparam a eventual ocorrência de atentados durante a Olimpíada

A um ano da Olimpíada, Londres trabalha duro para montar, a tempo, um amplo sistema de segurança para atletas e turistas. Apesar do forte policiamento, a cidade se prepara para ameaças de atentados.

"Esperamos um nível severo de ameça terrorista", diz o coordenador de segurança dos jogos, Chris Allison.

Isso significa que a ameça de um ataque é "altamente provável", segundo o sistema de avaliação oficial.

Serão 64 dias de operação especial de segurança, da data de abertura da vila olímpica ao encerramento dos jogos paraolímpicos.

O esquema de segurança não inclui somente Londres, mas todas as cidades que vão abrigar algum dos 34 locais do evento. As partidas de futebol, por exemplo, vão ocorrer em Glasgow, Cardiff, Manchester e Newcastle.

Alvos

Nos dias de maior movimento, até 12 mil policiais vão participar da segurança dos jogos, sendo que 75% deles ficarão em Londres.

Restaurantes, locais de acomodação, e o sistema de transporte são considerados alvos visados.

Segundo Allison, que já comanda exercícios de segurança, é preciso ainda "olhar para alvos menos visados como eventos paralelos ligados aos Jogos Olímpicos".

A polícia ainda deve estar preparada para coibir a venda de ingressos por cambistas e sites fraudulentos, controlar protestos e a aglomeração de multidões e até tomar as medidas cabíveis no caso de uma onda de calor.

As medidas de segurança começam antes da abertura dos jogos, com o acompanhamento da tocha olímpica.

Política

A recente renúncia de integrantes da cúpula da Polícia Metropolitana de Londres, em meio aos escândalos de grampos do jornal News of the World levantou questões sobre a segurança na Olimpíada.

O comissário chefe da polícia, Paul Stephenson, deixou o cargo por envolvimento no caso. Caiu também o chefe da divisão antiterrorismo, John Yates.

Yates, por sua vez, foi substituído pela comissária assistente, Cressida Dick, que esteve no centro do caso Jean Charles de Menezes, o eletrecista brasileiro morto na estação de metrô de Stockwell, dias após os atentados em Londres, em 2005. Ela foi absolvida de responsabilidade pela Justiça.

O que mais preocupa, no entanto, não são as trocas na cúpula, mas o corte no orçamento, diz a sociedade de classe Police Federation. O enxugamento de até 20% nas despesas do governo poderia afetar a segurança.

O orçamento de segurança dos jogos é de 475 milhões de libras (R$ 1,2 bilhão), além de um fundo de emergência de 152 milhões de libras (R$ 384 milhões). Caso não haja contratempos, o montante deve ser suficiente.

Para os analistas, nenhum centavo deve ser economizado com segurança, mesmo se o governo estiver em apuros. Uma falha representaria um preço muito alto a ser pago.

Instalações

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Image caption A maior parte das instalações em Londres já está pronta para os Jogos Olímpicos de 2012

A três meses da Olimpíada de Atenas, em 2004, sequer a estação de metrô do principal local dos jogos estava concluída. Após a correria, tudo saiu bem, apesar de o legado das obras não haver sido devidamente planejado.

Londres, por outro lado, deve fazer história nesse quesito. A um ano dos jogos, a maioria dos 12 locais de prova está praticamente pronta, a tempo de ser testada nos próximos 12 meses.

A Grã-Bretanha cumpriu o cronograma das obras, apesar de ninguém acreditar no plano de construções quando a cidade foi escolhida. A Olympic Delivery Authority (Autoridade Olímpica) merece todo o crédito.

Mesmo com a controvérsia envolvendo a venda dos tíquetes, é preciso ressaltar que a estratégia de comercialização das entradas tem sido um sucesso.

Espírito olímpico

A beleza das instalações olímpicas deve ser ressaltada nas imagens de TV que serão exibidas no mundo inteiro, ainda que deixem questões sem resposta sobre qual será o seu legado para os cidadãos britânicos.

Uma outra questão importante, no entanto, é sobre o "espírito olímpico" de Londres.

Apesar dos imensos anéis olímpicos instalados na estação de Saint Pancras, a cidade não parece viver a atmosfera da Olimpíada.

Com a onda de cortes no orçamento, surge a dúvida se a cidade terá dinheiro o suficiente para estar preparada como deve para os Jogos Olímpicos no ano que vem.

Transportes

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Image caption Londres vai pedir que os moradores fiquem em casa para aliviar a demanda no sistema de transporte

O transporte é um dos principais desafios da Olimpíada de Londres, em 2012.

A avaliação inicial do COI (Comitê Olímpico Internacional) sobre o transporte de Londres, em 2004, classificou o sistema como “obsoleto”.

Espera-se que a Olimpíada de 2012 seja vista como “os jogos do transporte público”. Há poucas vagas de estacionamento próximas aos locais de prova e os bilhetes para os jogos virão com uma passagem de um dia inteiro para o sistema de ônibus e metrô.

O maior problema é a capacidade do sistema de absorver a grande demanda nos dias de jogos, como já reconheceu a empresa governamental responsável pelo setor, a TfL (Transport for London).

A TfL já admitiu que os passageiros poderão esperar até uma hora para embarcar no Javelin, o trem que ligará a estação de Kings Cross Saint Pancras a Stratford, local dos jogos.

A TfL fará uma campanha para que 30% dos londrinos deixen de usar o transporte público nos dias dos jogos, incentivando-os a permanecer e trabalhar em casa, para aumentar a disponibilidade de assentos.

Conexões

A principal estação que irá servir os locais dos jogos, Stratford, será conectada a dez linhas distintas de trens e metrô, quando for inaugurada a ligação entre a estação e Canning Town. Haverá conexão, inclusive, com o aeroporto City.

A TfL espera que as obras finais sejam concluídas ainda neste ano. Ainda há problemas na estação de Stratford e obras em andamento na Northern Line, do metrô, mas tudo continua dentro do cronograma.

Outra preocupação é o calor, que já andou paralisando as linhas de trem entre Essex e Suffolk, devido ao superaquecimento dos cabos.

Transportes, no entanto, correm o risco de falhar quando a infraestrutura é antiga, caso do sistema londrino. Atrasos e outros problemas do gênero serão inevitáveis durante os jogos.

Faixa exclusiva

Outro ponto de polêmica é a adoção de faxas exclusivas em ruas e avenidas para trânsito de carros oficiais, veículos com atletas, membros do Comitê Olímpico e jornalistas credenciados.

Os críticos temem grandes congestionamentos nas demais faixas, e a polêmica não para por ai. Motoristas de táxi querem fazer parte do grupo autorizado a transitar pelas faixas.

Moradores locais reclamam que não foram consultados e criticam a retirada de faixas de pedestres ao longo da via.

Os organizadores temem ainda greve no sistema de transporte.

Moradores

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Image caption A criação de empregos e o legado olímpico foram ressaltados como contribuição dos jogos à cidade

E como anda a adesão dos londrinos à medida que os jogos se aproximam? Qual será o legado olímpico para a população?

Com boa parte das instalações prontas, os organizadores esfriaram os argumentos dos pessimistas.

Mas muitos dos moradores dos cinco distritos que irão receber os jogos, em Londres, ainda lançam dúvidas sobre a Olimpíada.

Os jogos, no entanto, têm acelerado algumas reformas como a remodelação do mercado de Whitechapel, cuja obra dificilmente estaria concluída rapidamente, não fossem os jogos.

Apesar da confusão na compra dos ingressos, alunos de escolas dos distritos irão ganhar tíquetes para assistir algumas das provas.

Criação de empregos

A criação de postos de trabalho foi uma das questões mais ressaltadas pelos organizadores da Olimpíada de Londres.

Só no distrito de Tower Hamlets, o Comitê de Organização de Londres emprega 131 moradores. A reforma do parque Victoria também deve trazer grande impacto à área.

As autoridades locais ainda estimulam programações ligadas à Olimpíada, como um festival de comida indiana no bairro de Brick Lane.

Para o subprefeito do distrito de Tower Hamlets, Lutfur Rahman, “não se tratam apenas dos cem dias entre a Olimpíada e a Paraolimpíada. Tratam-se dos benefícios que irão ficar para os moradores”.

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