Casa Branca adverte para veto de projeto republicano

Eric Cantor, líder da maioria republicana na Câmara, e John Boehner, presidente da Câmara (AP) Direito de imagem AP
Image caption Republicanos rejeitam aumento de impostos defendido por adversários, mas seu plano enfrenta resistência

A Casa Branca advertiu nesta terça-feira que o presidente dos EUA, Barack Obama, pode vetar um plano de corte orçamentário proposto por líderes republicanos, em novo capítulo do impasse partidário que ameaça o cumprimento das obrigações financeiras do país.

Ao mesmo tempo, o plano, apresentado pelo presidente da Câmara dos Representantes (deputados federais), o republicano John Boehner, enfrentou resistência dentro de seu próprio partido.

Políticos em Washington não conseguem entrar em acordo quanto a cortes orçamentários que reduzam o deficit do país, bloqueando a votação de um aumento do teto do endividamento dos EUA.

Como a dívida já alcançou esse limite, o teto precisa ser elevado pelo Congresso até 2 de agosto, quando os EUA não terão mais como cumprir com suas obrigações financeiras, arriscando uma moratória que pode ter efeitos na economia global.

A elevação do teto da dívida já foi aprovada diversas vezes na história americana. Neste ano, porém, republicanos conservadores se recusam a aprová-la sem que esteja vinculada diretamente com cortes profundos no orçamento americano, de forma a evitar a continuidade do endividamento.

Democratas, por sua vez, rejeitam cortes em programas sociais e exigem fim de isenções de impostos para a população mais rica – ideia rechaçada pelos republicanos.

Planos

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Image caption A Casa Branca de Obama 'se opõe fortemente' ao plano de cortes apresentado pelos republicanos

Uma nova rodada de propostas, de ambos os partidos, teve lugar na última segunda-feira. Tanto Obama quanto Boehner fizeram discursos televisionados, em busca de apoio público para suas estratégias de resolver o impasse.

O projeto apresentado pelos republicanos inclui cortes de gastos, impõe limites em gastos futuros e aumenta em US$ 1 trilhão o teto de endividamento dos EUA – o que não seria suficiente para durar até as eleições de 2012.

Esse aumento de limite estaria condicionado à aprovação, no Congresso, de cortes em programas estatais.

Leia também na BBC Brasil: Obama pede que americanos pressionem congressistas por solução para dívida

Nesta terça, a Casa Branca disse em comunicado que o governo “se opõe fortemente” ao projeto, advertindo que os conselheiros de Obama recomendariam o seu veto.

Há relatos de que o projeto, cujo debate na Câmara estava agendado para esta quarta-feira, só deva chegar ao Plenário na quinta, em meio a divergências dos próprios republicanos quanto ao alcance dos cortes propostos.

Mas Boehner defendeu o plano, dizendo que ele é “responsável” e que pode passar nas duas Casas do Congresso.

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Image caption Negociações bipartidárias, formais e informais, não conseguiram resolver impasse

Ao mesmo tempo, no Senado, o líder da maioria democrata, Harry Reid, pediu aos republicanos que apoiem a sua proposta, que não envolve aumentos de impostos e prevê cortes de US$ 2,7 trilhões ao longo de uma década, protegendo programas sociais.

O plano tem o endosso da Casa Branca.

Mas, na véspera, Boehner havia dito que as propostas dos democratas contêm “enganações” contábeis e que não reduzem programas que, na sua opinião, são os grandes causadores do deficit.

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