Dia de confrontos deixa pelo menos cem mortos na Síria

Confrontos e disparos na cidade de Hama neste domingo (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Vídeos postados na internet mostraram os confrontos na cidade de Hama

Forças de segurança do governo da Síria atacaram manifestantes em todo o país matando pelo menos cem pessoas, segundo informações.

Os confrontos foram mais violentos e deixaram mais mortos na cidade de Hama, que foi atacada por tanques logo ao amanhecer.

Segundo testemunhas os tanques dispararam contra civis na cidade. Hama é o centro de alguns dos maiores protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad, e esteve cercada pelo Exército durante o último mês.

O governo informou que os soldados foram enviados neste domingo à cidade para retirar as barricadas colocadas nas ruas pelos manifestantes.

No começo da noite, ativistas em Hama disseram à BBC que a cidade estava calma e que os tanques tinham saído depois de não conseguir retomar o controle do centro da cidade.

De acordo com a correspondente da BBC em Damasco, Lina Sinjab, o ataque mostra que o Exército não vai tolerar manifestações de larga escala pouco antes do mês do Ramadã - mês sagrado para os muçulmanos - quando os protestos devem aumentar.

Mas, segundo Sinjab, a população de Hama parece manter a postura desafiadora, com algumas pessoas ainda nas ruas gritando "Não vamos ser mortos de novo", em uma referência a um massacre ocorrido em 1982, quando dezenas de milhares de pessoas morreram.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que as informações vindas da Síria eram "horríveis".

"Mais uma vez, o presidente (Bashar al-Assad) mostrou que ele é completamente incapaz e não quer atender às queixas do povo sírio", afirmou.

Obama, que estaria horrorizado com o uso de "violência e brutalidade contra seu próprio povo" por parte do governo sírio, acrescentou que os Estados Unidos continuarão a trabalhar para isolar o governo de Assad.

Outras cidades

Outras cidades da Síria também tiveram confrontos em um dos dias mais violentos desde que os protestos contra o governo de Assad começaram.

Ativistas afirmam que cerca de 30 pessoas foram mortas no resto do país apenas nos confrontos deste domingo.

Testemunhas informaram que as forças de segurança no bairro de Harasta, em Damasco, atiraram bombas contra uma multidão de manifestantes, ferindo cerca de 50 pessoas. Já no bairro de Muadhamiya, outras cem pessoas foram presas, de acordo com grupos de defesa dos direitos humanos.

Moradores da cidade de Hirak, no sul do país, disseram que quatro civis foram mortos e dezenas ficaram feridos ou foram detidos nos confrontos.

Ativistas ainda informaram que pelo menos sete pessoas foram mortas na capital da província de Deir al-Zour, no leste do país, onde os tanques estão patrulhando as ruas.

Em um comunicado, o governo sírio disse que cinco soldados foram mortos em todo o país. A nota diz que grupos armados estão queimando delegacias de polícia e vandalizando propriedades públicas e privadas em Hama.

Ativistas dizem que mais de 1.500 civis e 350 oficiais das forças de segurança foram mortos na Síria desde o início dos protestos, em meados do mês de março. Mais de 12,6 mil pessoas foram presas e outras 3 mil estariam desaparecidas.

Centro de protestos

De acordo com ativistas na cidade, soldados e tanques começaram o ataque no início da manhã deste sábado, derrubando centenas de barricadas erguidas por moradores para chegar ao centro de Hama.

Direito de imagem Reuters
Image caption Hama é o centro dos principais protestos contra o governo de Bashar al-Assad

O correspondente da BBC na região, Jim Muir, disse que atiradores das forças de segurança foram vistos assumindo posições em prédios altos da cidade.

Um morador disse ao serviço mundial da BBC que os três principais hospitais da cidade estavam lotados, com mais de 200 feridos.

"Eles estão cuidando das pessoas nos corredores dos hospitais. Muitos feridos foram levados para suas casas e os médicos estão tratando deles lá", disse.

O morador afirmou ainda que os manifestantes não fizeram nada para provocar a ação militar.

"Por três meses, Hama teve enormes manifestações. Mais de 250 pessoas foram mortas e nada, nenhum tiro, veio do povo de Hama. Só barricadas de pedras e madeira."

A cidade foi palco da repressão de um levante popular contra o pai do presidente Bashar al-Assad, Hafez, em 1982.

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