Ataque do exército deixa 'dezenas de mortos e feridos' na Síria

Fumaça em prédios durante ataque em Hama, neste domingo. Direito de imagem Reuters
Image caption Vídeo no YouTube mostra fumaça em prédios durante ataque em Hama

Um ataque do exército sírio realizaram na cidade de Hama, ao norte da Síria, já deixou de mais de 80 civis mortos, segundo relatos.

Testemunhas no local dizem que tanques e tropas chegaram à cidade no início da manhã e atiram em residentes. Os hospitais dizem estar repletos de mortos e feridos.

O governo do afirma que os soldados foram enviados para remover barricadas e bloqueios que foram colocados nas ruas pelos manifestantes.

Hama é o centro de alguns dos maiores protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad, e esteve cercada pelo exército durante o último mês.

'Guerra'

De acordo com a correspondente da BBC em Damasco, Lina Sinjab, o ataque mostra que o exército não vai tolerar manifestações de larga escala pouco antes do mês do Ramadã - mês sagrado para os muçulmanos - quando os protestos devem aumentar.

Ativistas dizem que mais de 1.500 civis e 350 oficiais das forças de segurança foram mortos na Síria desde o início dos protestos, em meados do mês de março.

No entanto, as manifestações não dão sinais de ter chegado ao fim, apesar da dura repressão do governo, que gerou condenações e sanções internacionais.

Mais cedo, um oficial de imprensa da embaixada americana em Damasco, JJ Harder, disse que o governo de Assad está realizando uma "campanha de guerra"

Em um comunicado, o governo sírio disse que cinco soldados foram mortos em todo o país. A nota diz que grupos armados estão queimando delegacias de polícia e vandalizando propriedades públicas e privadas em Hama.

Centro de protestos

De acordo com ativistas na cidade, soldados e tanques começaram o ataque no início da manhã deste sábado, derrubando centenas de barricadas erguidas por moradores para chegar ao centro de Hama.

Direito de imagem Reuters
Image caption Hama é o centro dos principais protestos contra o governo de Bashar al-Assad

O correspondente da BBC na região, Jim Muir, disse que atiradores das forças de segurança foram vistos assumindo posições em prédios altos da cidade.

Um morador disse ao serviço mundial da BBC que os três principais hospitais da cidade estavam lotados, com mais de 200 feridos.

"Eles estão cuidando das pessoas nos corredores dos hospitais. Muitos feridos foram levados para suas casas e os médicos estão tratando deles lá", disse.

O morador afirmou ainda que os manifestantes não fizeram nada para provocar a ação militar.

"Por três meses, Hama teve enormes manifestações. Mais de 250 pessoas foram mortas e nada, nenhum tiro, veio do povo de Hama. Só barricadas de pedras e madeira."

A cidade foi palco da repressão de um levante popular contra o pai do presidente Bashar al-Assad, Hafez, em 1982.

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