Câmara dos EUA aprova acordo sobre a dívida

Congressistas debatem acordo nos EUA. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption A democrata Gabrielle Giffords, que se recupera após ser baleada, foi ovacionada por colegas

A Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) aprovou na noite desta segunda-feira o polêmico acordo sobre a elevação do teto da dívida americana. O projeto para evitar um calote do governo americano ainda aguarda decisão do Senado.

O projeto, que inclui um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões) e uma elevação no teto da dívida na mesma proporção, foi aprovado por 269 votos a favor e 161 contra.

O plano agora segue para o Senado, que irá discutir e votar o projeto nesta terça-feira, data limite antes que os EUA precisem dar um calote nos credores. A suspensão do pagamento das dívidas pode provocar graves consequências nas bolsas de valores globais, no bolso do contribuinte americano e até no sistema financeiro internacional.

A votação no Senado, que deve ocorrer até as 13h (horário de Brasília) deve oferecer menos resistência do que no cenário desta segunda-feira, já que, diferentemente da Câmara, ele é controlado pelo governo democrata.

Em seguida, o projeto precisa ser assinado pelo presidente Barack Obama para se tornar lei.

'Coragem'

A deputada americana Gabrielle Giffords, que foi baleada durante um evento em janeiro, surpreendeu e compareceu à Câmara para votar.

A democrata, que votou a favor do acordo, foi ovacionada pelos colegas.

Foi sua primeira aparição pública após o ataque, no qual ela foi atingida na cabeça com um tiro à queima-roupa por um atirador durante evento político em Tucson, no Arizona. Seis pessoas morreram e 13 ficaram feridas. O criminoso foi considerado mentalmente incapaz de ir a julgamento.

A líder dos democratas, Nancy Pelosi, disse que Giffords “inspirava o amor e a admiração de todos os americanos” e disse que a deputada era a “personificação da coragem”. “O Capitólio está lindo, e eu estou honrada de estar no trabalho esta noite”, disse Giffords em sua conta no Twitter.

Divisão

A Casa Branca tem um teto legal para a tomada de empréstimos para o pagamento das contas públicas, como o salário dos militares, os juros de dívidas prévias e o sistema de saúde Medicare. O limite atual é de US$ 14,3 trilhões (R$ 22,3 trilhões).

Em linhas gerais, os republicanos se opõem ao aumento de impostos e pedem um corte dramático nos gastos do governo. Os democratas, por sua vez, defendem taxação de fortunas e a blindagem de programas sociais voltados a idosos e mais pobres dos cortes propostos.

O acordo fechado pela liderança dos dois partidos no fim de semana, no entanto, não agradou a praticamente ninguém. Antes da votação, a democrata Nancy Pelosi disse que “respeitava completamente a hesitação” daqueles que não queriam votar a favor do pacote.

Após a votação, Pelosi criticou a demora para se obter um consenso: "Não estou feliz com esse cenário. Esse acordo poderia ter sido alcançado há meses."

"Às vezes parece que nossos dois lados não concordam em quase nada", disse o líder da maioria, o senador Harry Reid. "Mas no final, pessoas razoáveis foram capazes de concordar em uma coisa: os Estados Unidos não poderiam arriscar o calote nas nossas dívidas, dando margem a um colapso financeiro no país e a uma recessão no restante do mundo"

'Catastrófico'

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Image caption Presidente e líder da oposição disseram que acordo não é ideal, mas o apoiam

Para o secretário do Tesouro dos EUA, Thimoty Geitner, a não aprovação do pacote daria origem a um cenário "catastrófico". O presidente Barack Obama alertou que o país pode voltar à recessão.

Em seu discurso no domingo, Obama disse que o acordo "não é o que eu preferia", alegando que queria fazer cortes por intermédio de uma comissão bipartidária, mas agradeceu os congressistas por terem chegado a um meio-termo.

O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, que ao longo dos últimos meses de negociação travou duros embates com Obama, disse que "este não é o melhor acordo do mundo. Mas mostra o quanto mudamos os termos do debate" em Washington.