Julgamento de Mubarak mobiliza forte esquema de segurança

Hosni Mubarak. Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Ex-presidente egípcio é acusado de corrupção e de ter ordenado a morte de manifestantes

Um forte esquema de segurança foi montado na capital do Egito, Cairo, para onde está marcado o julgamento do ex-presidente Hosni Mubarak, nesta quarta-feira.

Relatos indicam que as forças de segurança deram tiros de advertência na praça Tahrir, no centro da cidade, para dispersar manifestantes. O local foi palco dos protestos populares que levaram Mubarak a renunciar, em fevereiro deste ano.

O ex-presidente, que ficou quase 30 anos no poder, é acusado de corrupção e de ter ordenado a morte de centenas de manifestantes.

Os filhos de Mubarak Alaa and Gamal também serão julgados, assim como o ex-ministro do Interior Habib al-Adly - já condenado a 12 anos de prisão - e seis autoridades do antigo regime.

Os advogados do ex-presidente insistem que Mubarak, 83 anos, está muito doente. No entanto, segundo o correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne, muitos egípcios se mostram céticos tanto em relação à suposta doença do ex-presidente quanto à sua possível presença no tribunal.

O correspondente da BBC também afirma que, para muitos egípcios, a cúpula militar do país não quer ver o ex-presidente sendo humilhado.

Leyne informa que Mubarak ainda não deixou a cidade litorânea de Sharm-el-Sheik, onde está detido em um hospital desde abril. Informações dão conta que o ex-líder egípcio será levado de avião até a academia de polícia no Cairo momentos antes do início do julgamento.

O júri estava inicialmente marcado para ocorrer em um centro de convenções na capital egípcia, mas as autoridades mudaram o local do julgamento para um fórum temporário dentro da academia, devido a questões de segurança.

Cerca de 3 mil homens, entre soldados e policiais, foram convocados para manter a ordem no local do julgamento.

Jaula

Uma jaula foi construída para os réus. Cerca de 600 pessoas são esperadas para assistir ao júri.

Mubarak renunciou em 11 de fevereiro, depois de 18 dias de protestos populares massivos na praça Tahrir, nos quais cerca de 850 pessoas foram mortas.

O momento atual é de tensão para o Egito. Se Mubarak não aparecer no tribunal, graves confrontos são esperados nas ruas do Cairo, afirma Leyne.

No último mês, novos protestos foram realizados na praça Tahrir, por pessoas cansadas com o ritmo das mudanças no país, considerado lento.

Entre as demandas dos manifestantes à junta militar que comanda o país, está o julgamento mais rápido de autoridades do antigo regime.

Na segunda e na terça-feira, a polícia, com o apoio de soldados, agiu para tirar da praça os últimos manifestantes.

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