Apesar de acordo, temor com economia causa perdas em Wall Street

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Image caption Bolsa de NY apresentou quedas maiores que 2%, com dados econômicos pessimistas (Foto: AP)

Apesar da aprovação do aumento do teto da dívida americana, os mercados de ações do país caíram fortemente nesta terça-feira, em meio a temores relativos ao ritmo de recuperação da economia dos Estados Unidos, a maior do mundo.

Os três principais índices da Bolsa de Nova York apresentaram quedas maiores que 2%, enquanto a divulgação de mais dados econômicos pessimistas fizeram os investidores apostarem no ouro, levando o metal a uma cotação recorde.

Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 2,2%, a 11.867 pontos, enquanto o Nasdaq - índice das empresas de alta tecnologia - caiu 2,8%, a 2.669 pontos. Já o índice Standard & Poor's 500 fechou em baixa de 2,6%, a 1.254 pontos, a sua pior cotação em 2011.

Dados oficiais divulgados nesta terça-feira indicam que os consumidores americanos cortaram seus gastos em junho, enquanto a renda chegou a seu pior patamar neste ano.

O acordo fechado entre os partidos Democrata e Republicano, e aprovado pelo Senado, para evitar um potencialmente desastroso calote da dívida americana não teve o efeito positivo desejado junto às agências de classificação de risco.

O ouro bateu em US$ 1.640,39 a onça (ou US$ 57,86 o grama), com os investidores buscando no metal um "porto seguro" em meio à crise. Também houve forte demanda por francos suíços.

As ações nos mercados italiano e espanhol também tiveram fortes quedas nesta terça-feira, com a volta dos temores em relação a possíveis calotes da dívida em alguns países da zona do euro.

No Brasil, a Bovespa fechou em baixa de 2,09%, a 57.310 pontos. O dólar comercial subiu 0,45%, sendo negociado a R$ 1,568 na venda.

Leia mais na BBC Brasil: Senado dos EUA põe fim a temor de calote

Possível rebaixamento

A queda nos mercados de ações ocorreu apesar do acordo entre o Congresso e a Casa Branca, há muito aguardado, para aumentar o teto do endividamento do governo americano.

As agências de classificação de risco Moody's e Standard and Poor's se mostraram cautelosas. Embora tenha mantido a nota máxima "AAA" do crédito americano, a Moody's acrescentou uma "perspectiva negativa" à classificação, afirmando que um rebaixamento ainda pode ocorrer caso o crescimento dos EUA se deteriorar significativamente.

Já o diretor-gerente do Standard and Poor's Moritz Kraemer disse à BBC que "a probabilidade de um rebaixamento não pode ser descartada". Ele disse que a agência precisa "analisar o acordo em detalhes, em vez de somente ver os números que estão no topo".

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Estagnação

As notícias sobre a aprovação do acordo chegaram no momento em que os investidores já estavam nervosos com os novos sinais da fragilidade econômica americana.

Mais cedo, o Departamento de Comércio americano disse que os gastos com consumo no país caíram 0,2% em junho, a primeira queda para o mês em quase dois anos. Ao mesmo tempo, a renda aumentou 0,1% no mesmo mês, o menor avanço do indicador em nove meses.

Em termos de empregos, junho registrou somente 18 mil novas vagas, o pior aumento em nove meses. Já o desemprego aumentou para 9,2%, o maior patamar do ano.

"Se a recuperação ganhar alguma velocidade, isto terá de vir das famílias decidindo que querem gastar dinheiro novamente", disse o economista-chefe da consultoria Naroff Economic Advisors, Joel Naroff.

Muitos economistas começaram a rebaixar as suas previsões de crescimento para o terceiro trimestre do ano para os EUA, passando de 3% para 2,5%.

Os números vêm depois que um relatório divulgado na semana passada informou que o PIB (Produto Interno Bruto) americano cresceu apenas 1,3% no segundo trimestre de 2011.

Na segunda-feira, uma pesquisa indicou que a atividade da indústria dos EUA ficou estagnada em julho. O resultado se seguiu a sinais de igual fraqueza econômica vindos da Europa e da Ásia.

Leia mais: Entenda a votação do teto da dívida americana

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