Jobim pede demissão, e Amorim é o novo ministro da Defesa

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Image caption Após oito anos como chanceler de Lula, Amorim volta ao governo na pasta da Defesa

Após a polêmica suscitada por suas declarações em que teria criticado ministras do atual governo, o ministro da Defesa Nelson Jobim pediu demissão na noite desta quinta-feira.

Logo depois de a presidente Dilma Rousseff ter aceitado a demissão de Jobim, a secretária de Comunicação da Presidência, Helena Chagas, anunciou que ele seria substituído por ex-chanceler Celso Amorim.

O diplomata foi Ministro das Relações Exteriores durante os dois mandatos de Lula (2003 - 2010), no governo de Itamar Franco (1993-1995) e também foi embaixador do Brasil na Grã-Bretanha. Ele deve assumir na próxima segunda-feira.

Ameaça

A saída de Jobim ocorreu no mesmo dia em que ele regressou antecipadamente de uma viagem oficial ao Amazonas. Segundo relatos, Jobim decidiu voltar após um telefonema de Dilma, em que ela teria lhe sugerido que deixasse o cargo. Caso contrário, teria ameaçado demiti-lo.

Em entrevista à revista piauí que será publicada na segunda-feira, Jobim qualificou a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) de "muito fraquinha" e disse que a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) "nem sequer conhece Brasília".

Jobim teria afirmado ainda que o governo Dilma foi "atrapalhado" ao lidar, há dois meses, com a Lei de Acesso à Informação, sobre o sigilo de documentos ultrassecretos.

Após a repercussão das declarações, Jobim negou ter se referido de forma pejorativa às ministras e atribuiu a polêmica a um “jogo de intrigas”.

Filiado ao PMDB, o ministro estava em missão oficial a Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, ao lado do vice-presidente Michel Temer e do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

Outras polêmicas

A permanência de Jobim no cargo já estava ameaçada após ele afirmar, em programa do portal UOL na semana passada, que votou em José Serra nas eleições de 2010.

Jobim também causara polêmica ao dizer, em evento de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no fim de junho, que "os idiotas perderam a modéstia".

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Image caption Estopim para a demissão de Jobim teria sido suas declarações em que teria criticado ministras

"Ele [Nelson Rodrigues] dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento".

Embora o ministro posteriormente tenha dito que se referia a alguns jornalistas, a declaração foi interpretada como uma crítica a membros do governo petista.

Ministro da Defesa desde 2007, Jobim estaria insatisfeito com a perda de poder no governo Dilma, acentuada pela criação, neste ano, da Secretaria de Aviação Civil -- vinculado à Presidência, o órgão reduziu as atribuições da Defesa.

Trajetória

Antes de assumir o ministério da Defesa no governo Lula, em 2007, Jobim atuou, entre 1995 e 1997, como ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso. Posteriormente, FHC o nomeou ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), órgão que ele acabaria por presidir entre 2004 e 2006.

Bem relacionado com os militares, Jobim costumava usar farda e a posicionar-se ao lado da categoria em disputas no governo.

Em algumas ocasiões, entrou em atritos com o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos Paulo Vannuchi, que defendia a criação da Comissão da Verdade para investigar crimes ocorridos na ditadura (1964-1985).

Sua gestão à frente da Defesa também foi marcada pelo impasse em relação à compra, pelo Brasil, de aviões militares. Jobim manifestou-se em favor da compra de caças franceses em 2009, mas um corte orçamentário determinado pelo governo e a queixa de países concorrentes fez com que a negociação tenha sido suspensa.

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