Violência se espalha para fora de Londres

Atualizado em  8 de agosto, 2011 - 17:37 (Brasília) 20:37 GMT

Revoltas se espalham por Londres

Confrontos com policiais foram registrados em Hackney, Peckham e Lewisham.

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A violência que explodiu nesta segunda-feira pelo terceiro dia em diversos bairros de Londres, com saques e confrontos entre policiais e manifestantes, já tem reflexos em outras cidades da Grã-Bretanha, como Birmingham, a segunda mais populosa do país.

Grupos de jovens mascarados se uniram no centro de Birmingham, localizada no centro da Inglaterra, e destruíram vidros e vitrines de algumas lojas, como um restaurante da rede McDonald's, próximo à catedral da cidade.

Testemunhas também relatam danos na área de Colmore Row, uma das ruas mais movimentadas do centro de Birmingham. À noite, uma forte presença policial já era notada nas ruas da cidade.

Em Londres, os episódios mais violentos foram registrados na tarde desta segunda-feira nos bairros de Hackney, Lewisham e Peckham.

Carros foram incendiados em Lewisham (no sudeste da cidade), enquanto manifestantes atearam fogo em um ônibus e em uma loja em Peckham (sul). As chamas se espalharam e atingiram apartamentos vizinhos.

Carro pega fogo em Hackney. Foto: Getty Images

Além de bairros londrinos, saques e destruição de lojas foram registrados em Birmingham

Já em Hackney (norte de Londres), carros de polícia tiveram seus vidros quebrados. Centenas de policiais que foram deslocados para o local encontraram resistência por parte dos moradores, que usaram carros em chamas como barricadas.

A região de Hackney abriga várias famílias de baixa renda da capital britânica.

À noite, imagens aéreas também registraram diversos incêndios no bairro de Croydon, no norte de Londres. Ainda não há a confirmação do número de feridos devido aos choques desta terça-feira.

O chefe interino da Scotland Yard, Tim Godwin, afirma que a polícia irá perseguir todos os envolvidos nos episódios de violência e levá-los à Justiça. Segundo ele, serão usadas fotografias e vídeos de sistemas de segurança para verificar a identidade dos suspeitos.

Sobre a violência em Birmingham, a vice-chefe de polícia da região de West Midlands, Sharon Rowe, afirmou que uma operação policial está sendo realizada, com o uso de policiais extras, para restaurar a calma na área central da cidade, assim como para proteger as pessoas e os estabelecimentos comerciais.

"Nós não toleraremos violência desmedida e danos em qualquer lugar de West Midlands, e estamos trabalhando para garantir que os criminosos sejam identificados e pegos o mais rápido possível", disse Rowe.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o prefeito de Londres, Boris Johnson, que estão fora do país, resolveram encurtar as suas férias devido aos confrontos. Ambos devem chegar à capital britânica nesta terça-feira.

Cameron anunciou que vai realizar uma reunião de emergência para avaliar os episódios dos últimos dias.

Fim de semana

Os choques ocorrem após vários episódios de violência ocorridos na cidade durante as noites de sábado e domingo, nos quais mais de 200 pessoas foram detidas.

"O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente"

Andy Moore, repórter da BBC

As revoltas que explodiram na noite de sábado no bairro de Tottenham se espalharam para outras regiões de Londres na noite de domingo, que foi marcada por saques e violência em vários pontos do norte de Londres, além de Brixton, no sul, e de Oxford Circus, no centro turístico da capital britânica.

A Scotland Yard disse que os incidentes são imitações de atividades criminosas, que começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, de 29 anos.

Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro.

Os policiais não divulgaram detalhes do suposto tiroteio, em que um policial também teria sido ferido à bala, mas prometeram uma investigação.

No sábado, manifestantes se reuniram para exigir respostas da polícia a respeito da ação.

Por volta das 20h (16h no horário de Brasília), um tumulto começou e a polícia foi acionada.

Alguns manifestantes jogaram bombas caseiras contra a polícia e alguns prédios. Um ônibus de dois andares foi incendiado. Um supermercado, uma loja de carpetes e outros prédios também pegaram fogo.

Hackney

A polícia emviou uma grande quantidade de policiais para Hackney

Tênis novos

Em seguida, a violência começou a se espalhar para bairros vizinhos e depois para outras áreas da cidade. Veículos da polícia foram atacados e grupos de dezenas de jovens saquearam e incendiaram lojas.

"Eles destruíram a (casa de apostas) William Hill, colocaram fogo em latas de lixo (...) Eu vi uma (loja de celulares) Vodafone saqueada, uma (loja de calçados) Footlocker saqueada e incendiada, eu vi um (supermercado) Marks & Spencer atacado", relatou o jornalista da BBC Paraic O'Brien, que estava em Brixton.

Jornalistas também disseram ter visto jovens lançando pedras e garrafas contra a polícia e até usando extintores de incêndio para impedir a aproximação dos policiais, enquanto eles saqueavam lojas.

O repórter Andy Moore, da BBC, testemunhou as duas noites de violência e disse que elas tinham motivações bem diferentes.

"O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente. Na noite passada, havia uma impressão de que os saques, a violência e a desordem em Londres estavam sendo coordenados nos sites de mídia social", disse ele.

'Níveis absurdos de violência'

"Os policiais estão chocados com os absurdos níveis de violência dirigidos a eles. Pelo menos nove policiais foram feridos esta noite, além dos 26 da noite de sábado. Nós não vamos tolerar essa violência deplorável. A investigação continua para levar esses criminosos à Justiça", disse a comandante da polícia Christine Jones.

Partes de Tottenham, onde os tumultos começaram, ainda estão isoladas para que policiais e especialistas forenses examinem o local dos confrontos.

Até o momento, 16 pessoas já foram indiciadas por crimes como roubo, violência e posse de arma.

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