Polícia britânica detém mais de 2 mil pessoas devido a distúrbios

Atualizado em  13 de agosto, 2011 - 21:31 (Brasília) 00:31 GMT
Mario Quiassaca, 18 anos, deixa o tribunal após se declarar culpado. Foto: Reuters

Tribunais ficam abertos no fim de semana para julgar os acusados por saques e violência

A polícia britânica afirma que mais de 2 mil pessoas já foram detidas em conexão com os distúrbios e com os saques ocorridos na última semana em diversas cidades da Grã-Bretanha.

Durante o fim de semana, quatro tribunais de Londres e um de Manchester (norte) estarão abertos para julgar os acusados. Somente na capital britânica, mais de 700 pessoas devem comparecer diante da Justiça.

A grande maioria dos acusados é de meninos, adolescentes e jovens adultos. A maior parte deles está se declarando culpada.

Também durante este fim de semana, um contingente extra de policiais está trabalhando nas ruas de diversas cidades para coibir eventuais novos distúrbios.

No total, segundo a polícia, 2.275 pessoas já foram detidas com relação aos episódios de violência e aos saques iniciados na Inglaterra no último sábado, e que se estenderam por vários dias.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou neste sábado a polícia e os políticos britânicos por sua "firmeza" em lidar com os episódios de violência.

Em um telefonema para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, Obama disse que compartilha a esperança do premiê de que a situação permanecerá calma daqui por diante.

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Mortes

Em Birmingham, no centro do país, um homem e um adolescente foram acusados formalmente pela morte de três homens atingidos por um carro quando tentavam proteger lojas dos saqueadores, na última quarta-feira.

O pai de uma das vítimas, Tariq Jahan, agradeceu neste sábado a integrantes da comunidade asiática de Birmingham por respeitar o seu pedido de não buscar vingança pelas mortes, e pediu por mais ajuda por parte da polícia.

Já no bairro de Ealing, no oeste de Londres, uma vigília foi realizada em memória de Richard Bowes, que morreu depois de ser atacado durante um distúrbio, na segunda-feira.

Cerca de cem pessoas rezaram e acenderam velas durante a vigília por Bowes, morto em um hospital na quinta-feira, aos 68 anos.

A Polícia Metropolitana de Londres (também conhecida como Scotland Yard) disse que um suspeito de atacar Bowes foi detido neste sábado. Ele também é suspeito de participar dos distúrbios e de realizar três roubos.

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Polícia londrina dá batidas em busca de responsáveis por saques

Agentes invadiram casas na capital britânica e apreenderam produtos possivelmente roubados.

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Acusados

Em toda a Grã-Bretanha, mais de mil pessoas foram acusadas formalmente pelos distúrbios ocorridos nessa semana.

Neste sábado, a Corte de Magistrados (tribunal de primeira instância) de Westminster, em Londres, lidou com casos como o de Reece Donovan, 21 anos, morador de Romford (leste da capital), acusado de assaltar o estudante malaio Asyraf Haziq no bairro de Barking na segunda-feira.

Outro acusado era Reece Jackson, 18 anos, morador de Holly Park Estate (norte de Londres). Ele teria entrado roubado o equivalente a 20 mil libras (R$ 52 mil) em bicicletas em uma loja de artigos de ciclismo.

Em um restaurante, Jackson teria roubado quase 600 libras (R$ 1,5 mil) e 20 maços de cigarro, além de causar danos equivalentes a 3 mil libras (R$ 7,8 mil). Ele foi mantido em custódia.

'Problemas sociais'

O ministro das Finanças britânico, George Osborne, disse neste sábado que "problemas sociais profundamente enraizados" estão por trás dos distúrbios ocorridos na Grã-Bretanha nessa semana.

Sociedade

"Isto não é só um trabalho para a polícia. Isto é um trabalho para os políticos, para a mídia, é um trabalho para toda a nossa sociedade trazer essas pessoas mais para o centro (da vida econômica)."

George Osborne, ministro das Finanças britânico

Em uma entrevista a BBC Radio 4 inglesa, Osborne afirmou que algumas comunidades foram excluídas da vida econômica do país, e que isto foi ignorado por muito tempo.

"Isto não é só um trabalho para a polícia. Isto é um trabalho para os políticos, para a mídia, é um trabalho para toda a nossa sociedade trazer essas pessoas mais para o centro (da vida econômica)", disse.

Os comentários do ministro coincidem com a opinião do ex-chefe de polícia americano Bill Bratton, que vai à Grã-Bretanha para aconselhar as autoridades.

"Prisões são certamente (uma medida) apropriada para os mais violentos, para os incorrigíveis, mas uma parte do problema pode ser enfrentada de outras maneiras. E não é só uma questão policial, é uma questão social", disse ele, que já foi chefe de polícia em Los Angeles, Nova York e Boston.

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