Rossi se demite; Dilma perde 4º ministro em menos de três meses

Wagner Rossi, ministro demissionário da Agricultura. ABr Direito de imagem AB
Image caption 'Veja' noticiou uma suposta cobrança de propina de R$ 2 milhões por parte de Rossi

Após denúncias de corrupção, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, do PMDB, pediu demissão nesta quarta-feira, tornando-se o quarto ministro a deixar o governo da presidente Dilma Rousseff em menos de três meses - ou 72 dias, desde a saída de Antonio Palocci.

Em sua carta de demissão, Rossi diz que, nos últimos 30 dias, vinha enfrentando diariamente "uma saraivada de acusações falsas, sem qualquer prova, nenhuma delas indicando um só ato meu que pudesse ser acoimado de ilegal ou impróprio no trato com a coisa pública".

Nesta semana, o jornal Correio Braziliense afirmou que Rossi fez várias viagens particulares à cidade de Ribeirão Preto (SP), onde vive sua família, no jatinho de uma empresa que presta serviços ao Ministério da Agricultura. O ex-ministro confirmou ter pego carona na aeronave.

Ainda nesta semana, a revista Veja trouxe mais denúncias contra o ministro, inclusive uma suposta cobrança de propina no valor de R$ 2 milhões, em uma licitação.

As suspeitas vieram à tona depois que o ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Oscar Jucá, disser haver "bandidos" no ministério, sugerindo que Rossi tinha conhecimento de atos ilícitos na pasta.

Jucá, que é irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), deixou a Conab também sob suspeitas.

Rossi diz, em sua carta de demissão, que respondeu "a cada acusação" com documentos comprovando a sua inocência. No entanto, segundo ele, a imprensa "solenemente ignorou" as supostas comprovações.

Indicado pelo vice-presidente Michel Temer, também do PMDB, Rossi disse ter desistido de sua "luta estóica mas inglória contra forças muito maiores" por pressão da família.

Outras demissões

O ministro-chefe da Casa Civil e principal articulador político de Dilma, Antonio Palocci, foi o primeiro a deixar o governo, em junho deste ano, após a revelação de que seu patrimônio multiplicou-se por 20 enquanto exerceu mandato de deputado federal, entre 2007 e 2010.

Depois de Palocci, Alfredo Nascimento, titular dos Transportes, foi substituído, assim como quase toda a cúpula do ministério, em meio a denúncias sobre um suposto esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por construtoras e consultorias dentro da pasta.

Após as demissões, o PR, partido de Nascimento, decidiu deixar a coalizão governista.

No início de agosto, foi a vez do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), deixar o governo. Ele pediu demissão após a repercussão de uma reportagem da revista piauí, em que criticou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

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