Síria enfrenta mais um dia violento com até 20 mortos

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Image caption Manifestante síria protesta em Istambul, onde o governo foi contra a saída de Assad

Pelo menos 20 pessoas teriam sido mortas e dezenas, feridas na Síria nesta sexta-feira, quando o Exército e a polícia abriram fogo durante protestos contra o governo.

Milhares de pessoas foram às ruas em manifestações contra o governo após as tradicionais orações da sexta-feira.

Ativistas afirmaram que a maior parte das mortes ocorreu na Província de Deraa, no sul do país, mas também há relatos de vítimas em Homs (oeste) e na capital Damasco.

A violência ocorreu apesar da garantia do governo de que as operações militares teriam acabado. Uma porta-voz do ministério da Informação responsabilizou gangues armadas pela violência

Após meses de uma violenta repressão a protestos de oposicionistas no país, os Estados Unidos e a União Europeia pediram na quinta-feira a saída do líder sírio, Bashar al-Assad.

Pressão

O regime de Assad vem enfrentando forte pressão por parte da comunidade internacional devido à violenta repressão a manifestantes no país, que já deixou mais de 1.700 pessoas mortas.

Já a Rússia rejeitou pressões por parte dos Estados Unidos e da União Europeia pela renúncia do presidente da Síria.

O governo americano e o bloco europeu também anunciaram novas sanções contra seu regime.

Segundo os ativistas, a violência desta sexta-feira foi mais grave em cidades de Deraa, província na qual tiveram início os protestos, em março.

Sem mudanças

Para o correspondente da BBC em Beirute (Líbano) Jim Muir, os relatos de ativistas e os vídeos postados na internet indicam que nada mudou, mesmo após Assad ter dito, na quarta-feira, que as operações contra os manifestantes não mais ocorreriam.

O presidente sírio está sofrendo uma pressão maior do que nunca para mudar o rumo do país, de acordo com Muir, agora que a Europa se junto aos EUA para ampliar as sanções.

“No entanto, não há sinais reais de mudança no coração de Damasco”, afirma o correspondente.

“Assad vai certamente se sentir mais poderoso com o fato de que a Rússia foi contra o apelo (dos EUA e da EU), para que ele deixasse o poder.”

Moscou alega que Assad precisa de mais tempo para implementar as reformas propostas.

A Turquia, também bastante influente na questão, concorda com os russos, afirmando que uma mudança abrupta poderia desestabilizar a Síria e toda a região.

“Mas a Rússia, a Turquia e outros países vão fazer um apelo a Assad para que realmente coloque as mudanças em prática e tentarão encorajar o diálogo com a oposição”, afirma Muir.

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