Rebeldes entram em quartel-general de Khadafi, dizem testemunhas

Atualizado em  23 de agosto, 2011 - 12:39 (Brasília) 15:39 GMT

Rebeldes pisam em estátua durante invasão do QG de Khadafi

Fortaleza na capital líbia foi invadida após horas de batalha.

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Forças rebeldes entraram nesta terça-feira no quartel-general do líder líbio, Muamar Khadafi, em Trípoli, após horas de confrontos violentos com forças leais ao regime.

Testemunhas afirmam que centenas de rebeldes invadiram o complexo de prédios em Bab al-Azizia, uma das poucas áreas que aparentemente ainda estavam sob controle do regime.

Segundo uma rádio ligada aos oposicionistas, a bandeira tricolor utilizada pelos rebeldes foi hasteada no complexo governamental, no lugar do pavilhão verde utilizado pelo regime de quatro décadas. A informação, no entanto, não tem verificação de fontes independentes.

Horas antes da invasão, dezenas de picapes cheias de combatentes rebeldes entraram em Trípoli e partiram para um ataque maciço ao quartel-general. As forças rebeldes já haviam anunciado que a invasão era a prioridade nesta terça-feira.

Imagens de TV mostraram grossas colunas de fumaça preta subindo de prédios ao redor da cidade, entre eles prédios que integram o QG de Khadafi. Um rebelde ouvido pela rede de TV Al Jazeera confirmou que nem todo o complexo está sob poder dos opositores.

Os rebeldes também estão saqueando o complexo, segundo o chefe do escritório da BBC Middle East, Paul Danahar, que está dentro do quartel-general.

A invasão ocorre apenas momentos depois de a agência de notícias russa Interfax ter divulgado a informação de que Khadafi conversou por telefone com uma autoridade russa nesta terça-feira, dizendo que estava em Trípoli, "bem de saúde" e que não pretendia deixar a Líbia.

O paradeiro de Khadafi, que vem sendo caçado por rebeldes desde que eles entraram em Trípoli, no fim de semana, é motivo de inúmeras especulações. Alguns acreditam que o líder líbio estaria em seu quartel-general, mas a informação não foi confirmada.

Rebeldes combater forças de Khadafi. AP

Invasão ao QG de Khadafi é prioridade das forças opositoras; paradeiro do líder é desconhecido

O repórter da BBC em Trípoli Rupert Wingfield-Hayes disse acreditar que a chave para o fim do conflito seja a captura de Khadafi.

Combates

Imagens da rede de TV Sky News mostravam grupos de rebeldes fortemente armados reunidos a cerca de 50 metros do QG, vestidos com roupas civis. O som de granadas, morteiros e artilharia podiam ser ouvidos ao fundo.

Testemunhas disseram que centenas de rebeldes entraram no quartel-general, e que muitos disparavam para o ar, em sinal de comemoração.

Na manhã de terça-feira, Saif al-Islam, um dos filhos de Khadafi, reapareceu em público, desmentindo relatos de que havia sido preso por rebeldes. Ele falou a jornalistas abrigados no Hotel Rixos, na capital, insistindo em afirmar que o governo de seu pai havia "quebrado a espinha" da ofensiva rebelde, e que as forças leais ao regime estavam vencendo a batalha.

Políticos ocidentais, líderes rebeldes e comandantes militares da Otan minimizaram a afirmação.

"Uma breve aparição de madrugada não significa que alguém está no controle de um país, de uma capital, ou de qualquer coisa, na verdade", disse a porta-voz da Otan Oana Lungescu.

Um representante das forças opositoras reconheceu, no entanto, o constrangimento criado pela aparição de Saif-al-Islam.

"Ele foi capturado e aparentemente escapou. Esta é a informação que temos. Para ser sincero, é um constrangimento", disse à BBC o porta-voz Hany Hassan Soufrakis.

Próximos passos

Membros do Conselho Nacional de Transição (CNT), baseado em Benghazi, já se preparam para voar para a capital líbia.

Cartaz de Khadafi, na Embaixada da Líbia em Brasília. AP

Governos europeus, árabes e dos EUA já reconhecem o governo interino do CNT

Os rebeldes entraram em Trípoli no fim de semana, e, após um rápido avanço, encontraram forte resistência de forças leais a Khadafi na segunda-feira em algumas áreas da capital.

Líderes mundiais vêm exortando Khadafi a deixar o poder.

O CNT já é reconhecido como governo interino pelos Estados Unidos e por vários países da Europa e do mundo árabe. O Brasil ainda não se posicionou sobre o tema.

O chefe do CNT, Mustafa Abdul Jalil, disse que Khadafi e seus aliados devem enfrentar a Justiça e serem julgados. Ele pediu aos rebeldes, no entanto, que evitem julgamentos sumários.

Diante da aparentemente iminente queda de Khadafi, a Turquia (que reconhece o CNT) anunciou uma ajuda de US$ 300 milhões para a formação do novo governo líbio.

Egito e Bahrein também anunciaram nesta terça-feira o reconhecimento ao governo interino do CNT.

O levante contra o regime de 41 anos de Khadafi começou em fevereiro. Rebeldes controlaram o leste do país e bolsões do oeste, antes de avançar na direção da capital. A Otan vem atacando forças leais a Khadafi pelo ar, cumprindo um mandato da ONU para garantir a segurança de civis.

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