Brasil aguardará posição da ONU sobre rebeldes líbios, diz Patriota

Militante rebelde celebra fim do regime, em Benghazi. AP Direito de imagem AP
Image caption CNT já é reconhecido como governo interino por países árabes, europeus e pelos EUA

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta terça-feira que o Brasil aguardará a posição da ONU para decidir se reconhecerá a soberania dos rebeldes líbios, que controlam grande parte da capital, Trípoli.

Organismo representante dos rebeldes, o Conselho Nacional de Transição (CNT), baseado em Benghazi, já foi reconhecido como governo interino da Líbia pelos Estados Unidos e por países europeus e árabes.

Só nesta terça-feira, o CNT ganhou reconhecimento de Nigéria, Marrocos, Iraque, Noruega, Grécia, Egito e Bahrein.

Segundo Patriota, às vésperas da realização da próxima Assembleia Geral da ONU, em 21 de setembro, o comitê de credenciamento do órgão deve definir qual grupo representará a Líbia no evento, posição que deve ser seguida pelo Brasil.

O chanceler afirmou ainda que as posições sobre a Líbia a serem tomadas pela Liga Árabe e pela União Africana, grupos que se reúnem nesta semana, serão "elementos importantes" no posicionamento do governo brasileiro e do restante da comunidade internacional.

Unidade nacional

Patriota disse ter conversado sobre a Líbia nesta semana com a chanceler sul-africana, Maite Nkoana Mashabane, que teria expressado preocupação quanto à necessidade de construir um governo de união nacional na Líbia, já que, segundo ela, o CNT não tem representatividade nacional.

Em Brasília, cidadãos líbios ocuparam a Embaixada da Líbia e substituíram a bandeira verde do regime pela tricolor das forças rebeldes.

Investimentos brasileiros

Patriota afirmou ainda que não teme por represálias dos rebeldes às empresas brasileiras que atuam na Líbia, em razão do não reconhecimento da soberania do movimento pelo Brasil.

Companhias como a Odebrecht, Queiroz Galvão e Petrobras têm investimentos no país árabe e aguardam o desenlace dos conflitos para definir ações futuras.

Segundo ele, o embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantonio Neto, obteve garantias dos rebeldes de que os contratos firmados pelas companhias brasileiras durante o governo de Muamar Khadafi serão honrados.

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Image caption Na embaixada líbia em Brasília, a bandeira verde do regime já foi substituída pela tricolor dos rebeldes

"A mensagem que recebemos é que eles (rebeldes) apreciam o papel das empresas brasileiras no desenvolvimento da Líbia", afirmou.

Queda iminente

Nesta terça-feira, forças rebeldes tomaram o quartel-general do líder líbio, Muamar Khadafi, em Trípoli, após horas de confrontos violentos com forças leais ao regime.

Segundo uma rádio ligada aos oposicionistas, a bandeira tricolor utilizada pelos rebeldes foi hasteada no complexo governamental, no lugar do pavilhão verde utilizado pelo regime de quatro décadas.

O paradeiro de Khadafi ainda é desconhecido. Pouco antes da invasão, segundo a agência de notícias russa Interfax, o líder líbio conversou por telefone com um integrante do governo russo, afirmando que está bem, em Trípoli, e que não pretende deixar a Líbia.

Enquanto Trípoli parece ser inteiramente tomada pelos opositores, membros do Conselho Nacional de Transição (CNT), baseado em Benghazi, já se preparam para voar para a capital líbia.

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