Americana é condenada por maltratar filho adotivo 'para aparecer na TV'

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Image caption Jessica Beagley não teria demonstrado nenhuma emoção ao ouvir o veredicto

Uma americana foi condenada por maus-tratos após punir o filho adotivo russo de 7 anos com molho de pimenta e banhos gelados, em um caso que atraiu atenção internacional.

Jessica Beagley, de 36 anos, teria gravado as punições ao menino para aparecer em um quadro do programa de TV Doctor Phil intitulado "Confissões de Mãe", em que pais pedem ajuda para corrigir o comportamento dos filhos.

Enquanto a promotoria alegou que tanto Beagley como o programa de TV são responsáveis pelos maus-tratos ao menino, a defesa disse que a mãe estava apenas disciplinando o filho, que teria problemas de comportamento causados por traumas anteriores à adoção.

Beagley e o marido, um policial da cidade de Anchorage, no Alasca, também têm quatro filhos biológicos e são pais adotivos do menino russo e de seu irmão gêmeo. O casal não demonstrou nenhuma emoção ao ouvir a condenação.

Jessica Beagley vai aguardar em liberdade a sentença, que será anunciada na segunda-feira. Ela pode ser condenada a até um ano de prisão, uma multa de até US$ 10 mil (R$ 16 mil) e até 10 anos de liberdade condicional.

'Zangada'

De acordo com o canal local KTUU, a acusação no caso disse que Beagley teria procurado o programa para participar do quadro "Confissões de Mãe", mas não obteve resposta até um ano depois, quando os produtores perguntaram se ela ainda estava "zangada" com os filhos.

Durante o julgamento, a promotoria disse que Beagley enviou para a produção de Doctor Phil vídeos que mostravam seus filhos sendo punidos, mas ouviu que eles não eram "fortes" o suficiente.

No programa que acabou indo ao ar, Beagley aparece colocando molho de pimenta na boca do menino russo como punição por ele ter mentido. Em seguida, ela aparece colocando o filho adotivo debaixo de um chuveiro gelado por ter ficado de castigo na escola.

Regras de adoção

Um telespectador denunciou Beagley às autoridades e o caso acabou chamando atenção na Rússia, onde muitas pessoas pediram a volta do menino e de seu irmão gêmeo.

O caso veio à tona apenas quatro meses após Moscou suspender temporariamente a adoção de crianças russas por famílias dos Estados Unidos, depois que uma americana, Torry Hansen, colocou seu filho adotivo de 7 anos sozinho em um voo de volta para a Rússia com um bilhete dizendo que não podia mais cuidar dele.

A suspensão foi cancelada em junho, quando o presidente russo, Dmitry Medvedev, e o presidente americano, Barack Obama, concordaram em discutir juntos as regras dos processos de adoção.

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