Batalhas explodem em frente a hotel onde jornalistas estão sitiados em Trípoli

Jornalistas dentro do hotel Rixos (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Presos dentro do hotel, jornalistas usam coletes para se proteger dos tiros

Cerca de 35 estrangeiros, entre eles vários repórteres e correspondentes internacionais, estão presos no hotel Rixos, no centro de Trípoli, uma das áreas onde as forças leais ao líder líbio, Muamar Khadafi, estão resistindo as tentativas dos rebeldes de assumir o controle total da capital da Líbia.

A maioria é jornalista, incluindo o repórter da BBC Matthew Price, que descreveu as condições dentro do hotel que pioram a cada momento. Ele conta que os disparos e tiroteios podem ser ouvidos de dentro e nos arredores do hotel.

"É uma situação desesperadora para cerca de 35 estrangeiros. Há um congressista americano aqui, há um parlamentar indiano. A situação piorou muito durante a noite, quando ficou claro que não poderíamos sair do hotel livremente", disse Price em entrevista à BBC.

O jornalista contou que atiradores estão nos corredores do Rixos sendo que alguns deles parecem ser soldados treinados das forças leais a Khadafi, e há atiradores posicionados no telhado e atrás das árvores nas ruas em volta do hotel.

"Um cinegrafista da (rede britânica) ITN teve um rifle AK-47 apontado contra ele, um guarda se aproximou e o empurrou, apontando a arma na direção dele. Ele está bem", afirmou o jornalista. O cinegrafista tentava sair do hotel no momento em que teve a arma apontada contra ele.

Price diz que, se por um lado este momento de tensão acabou bem, ainda há muita apreensão e nervosismo entre os jornalistas retidos no hotel.

A água potável e a comida dentro do Rixos estão acabando e a eletricidade está funcionando apenas em partes do prédio. Os aparelhos de televisão que recebem o sinal por cabo ou satélite não estão funcionando o que aumenta a sensação de isolamento.

Alvo

De acordo com jornalistas na Líbia não se sabe exatamente qual o objetivo dos guardas armados dentro do hotel Rixos.

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Image caption Já não há eletricidade em partes do hotel

O jornalista da BBC em Benghazi Jon Leyne afirma que a impressão é que o hotel em Trípoli é um alvo valioso, mas ainda é difícil entender a razão de os soldados leais a Khadafi lutarem tanto pelo local, a não ser que eles estejam apenas sem liderança nenhuma e executando ordens que receberam antes, sem nenhuma outra orientação posterior.

Dentro do hotel, Matthew Price afirma que alguns dos guardas armados repetem que vão defender o país e a cidade. Um deles, conversando com os jornalistas em árabe, conta que não vai voltar para casa, pois precisa "lutar por nosso país". Precisamos lutar por nosso líder".

No entanto, o paradeiro de Khadafi ainda é desconhecido.

O chefe do escritório da BBC no Oriente Médio Paul Danahar, chegou a ficar a um quilômetro do hotel e afirmou que os rebeldes fecharam as ruas que levam ao prédio onde estão os jornalistas.

Danahar conta que pode ouvir "tiroteios esporádicos", mas não consegue determinar a que distância do hotel eles estão ocorrendo.

Os rebeldes já falam em vitória.

"O que você vê nas ruas da Líbia hoje está refletindo o fato de que uma nova nação nasceu", disse o porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Mahmou Shaman, a BBC.

Moradores de regiões a oeste de Trípoli, em Janzour, comemoram a passagem dos rebeldes.

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