Reunião da Unasul termina sem posição comum sobre Líbia

Rebeldes transitam dentro do QG de Khadafi em Trípoli. Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Presidente do bloco não descarta acordo sobre país do Oriente Médio no futuro

A Unasul (União das Nações Sul-Americanas) não chegou a uma posição comum sobre a situação da Líbia, durante reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores dos 12 países do grupo, realizada nesta quarta-feira em Buenos Aires.

"Nós discutimos o assunto, reconhecemos que é uma situação em evolução, mas não tomamos nenhuma posição conjunta a respeito", disse a presidente temporária da Unasul e ministra das Relações Exteriores da Guiana, Carolyn Rodríguez.

Questionada se seria possível atingir uma posição comum, embora a Venezuela já tenha manifestado apoio a Muamar Khadafi, Rodríguez disse que o desacordo é algo "deste momento".

"Não quer dizer que, quem sabe no futuro, não possamos ter uma posição conjunta a respeito", disse ela. A presidente da Unasul disse que "debates muito valiosos" foram realizados sobre a Líbia durante a reunião.

O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Nicolas Maduro, disse que a Venezuela e outros países haviam defendido que a questão da Líbia fosse discutida neste encontro, mas reconheceu que poderia haver dificuldades para o consenso.

"Somos países de diferentes características, e é difícil que saia declaração conjunta (sobre a Líbia), mas haverá debate sobre a questão", disse Maduro, durante um intervalo da reunião.

A chanceler da Guiana disse ainda que, além da Líbia, foram discutidas medidas conjuntas para se evitar os efeitos da crise financeira internacional.

"Estabelecemos três grupos de trabalho que vão analisar todas estas questões relacionadas com a crise internacional, para garantir nossas economias não só no curto, mas no longo prazo", disse.

A discussão sobre como agir conjuntamente contra os efeitos da crise já havia sido tratada pelos ministros da área econômica e representantes dos bancos centrais da Unasul, no início deste mês, na capital argentina.

Agora, as discussões foram sobre como tirar essas medidas preventivas do papel.

A secretária geral da Unasul, a colombiana María Emma Mejía, afirmou que, entre as medidas discutidas, estão o fortalecimento do Flar (Fundo Latino-Americano de Reservas) e de outros mecanismos para reunir reservas para situações de crise.

"É um plano de trabalho que tem a ver com medidas monetárias, comercio regional, fortalecimento do Flar ou novas instâncias para a nova arquitetura financeira regional", disse Mejía.

Criado em 1978 como um fundo comum de reservas, o Flar é integrado, atualmente, pela Bolivia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela.

Segundo Mejía, as conclusões destes grupos serão entregues aos chanceleres até o dia 12 de outubro.

'Desdolarização'

O coordenador dos conselhos de Finanças e de Economia da Unasul e vice-ministro da Economia da Argentina, Roberto Felletti, disse que outra medida para evitar os efeitos da crise seria o menor uso do dólar nas transações comerciais, já em vigor entre seu país e o Brasil.

"Queremos avançar no desenho de um sistema de pagamentos com uso da moeda local, que já existe entre Argentina e Brasil. Ou seja, tendência a ‘desdolarizar’ o comércio regional", afirmou.

Felletti disse que a ideia é acelerar a constituição do Banco do Sul e fortalecer a CAF (Cooperação Andina de Fomento), devido, segundo ele, à "demora na capitalização do BID e às debilidades que apresenta o próprio Banco Mundial".

No comunicado final do encontro, distribuído pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina, os ministros da Unasul informaram que, entre as resoluções, está a "ratificação do compromisso e apoio solidário com o Haiti".

A previsão, segundo Mejía, é que os presidentes dos países do grupo voltem a se reunir até novembro deste ano, após encontro realizado em julho em Lima, no Peru.

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