Presidente do BC dos EUA evita anunciar novo plano de estímulo

Operador da Bolsa de NY assiste a discurso de Bernanke nesta sexta Direito de imagem Getty
Image caption Bolsas registraram quedas logo após discurso de Bernanke, mas se recuperavam ao longo do dia

Em um discurso cercado de expectativa, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Ben Bernanke, disse nesta sexta-feira que está “otimista” com as perspectivas de longo prazo para a economia dos Estados Unidos, mas não deu qualquer indicação sobre possíveis novas medidas de estímulo.

Bernanke disse que a economia americana ainda enfrenta grandes desafios, especialmente em relação à alta taxa de desemprego e ao deficit no orçamento, mas indicou que o Fed já fez a sua parte.

“A maioria das políticas econômicas de apoio a um crescimento econômico robusto no longo prazo estão fora da esfera de ação do banco central”, disse, em um encontro anual de presidentes de bancos centrais em Jackson Hole, no Estado de Wyoming.

O pronunciamento de Bernanke era aguardado por analistas e pelo mercado, já que, no ano passado, foi nesse encontro que Bernanke indicou a intenção de lançar a segunda rodada do programa de relaxamento quantitativo – pelo qual o Fed injetou US$ 600 bilhões (cerca de R$ 963 bilhões) na economia por meio da compra de títulos do Tesouro de longo prazo até junho deste ano.

Expectativa

Havia a expectativa de que o presidente do Fed pudesse anunciar um novo plano no discurso deste ano, feito em um momento em que cresce o temor de nova recessão nos Estados Unidos, especialmente após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s ter rebaixado a nota do país, no início do mês.

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Image caption Bernanke (centro) citou 'otimismo' com perspectivas de longo prazo da economia

Assim que ficou claro que o presidente do Fed não anunciaria nenhum plano, as bolsas registraram forte queda, mas já se recuperavam ao longo do dia.

No entanto, Bernanke afirmou que o Fed tem mais ferramentas disponíveis para promover estímulo monetário adicional, deixando aberta a possibilidade de anunciar novas medidas no encontro do banco marcado para 20 de setembro.

Crescimento

O discurso de Bernanke foi feito no mesmo dia em que o Departamento de Comércio americano revisou para baixo o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre do ano.

De acordo com novos dados divulgados nesta sexta-feira, a economia americana avançou apenas 0,2% (equivalente a uma taxa anualizada de 1%) no período de abril a junho, abaixo da taxa anualizada de 1,3% estimada anteriormente.

O lento ritmo de crescimento nos Estados Unidos já havia levado o presidente do Fed a afirmar, no início do mês, que a taxa de juros será mantida no atual patamar, próximo de zero, pelo menos até a metade de 2013.

As incertezas sobre a economia americana aumentaram após um impasse de meses entre o Congresso e a Casa Branca para elevar o teto da dívida pública do país – impedindo, assim, o risco de calote – e reduzir o deficit no orçamento.

O calote foi evitado por um acordo de última hora, no início de agosto, mas as dificuldades na negociação entre governo e oposição levaram a Standard & Poor’s a rebaixar a nota do país.

Em seu discurso, Bernanke citou o impasse ao afirmar que o país precisa de um processo mais eficaz de tomada de decisões fiscais.

Deixando um pouco de lado os comentários sobre política monetária – principal responsabilidade do Fed –, Bernanke disse que a política fiscal precisa ser colocada em uma trajetória sustentável, mas levando em conta a fragilidade da recuperação econômica no curto prazo.

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