Corpos se acumulam nos hospitais de Trípoli

Atualizado em  26 de agosto, 2011 - 16:54 (Brasília) 19:54 GMT

Trípoli tem sinais de atrocidades de Khadafi

Após semana de combates, cidade carece de eletricidade, água, policiamento e coleta de lixo.

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Formatos alternativos

A batalha pelo controle de Trípoli deixou os hospitais da capital líbia em situação caótica. Enquanto profissionais da saúde deixam a cidade, corpos em decomposição se acumulam nos centros médicos.

O repórter da BBC Wyre Davies diz ter visto cerca de 200 corpos amontoados apenas no hospital de Abu Salim, dentro e fora do edifício.

A maioria dos mortos são jovens que aparentemente estavam na frente de guerra. Há também corpos de mulheres e crianças.

Um morador do distrito de Abu Salim, um dos mais atingidos pelos tiroteios, disse que os corpos estão no hospital há cinco dias.

"Estes corpos estão aqui há cinco dias. Ninguém cuidou de levá-los para o necrotério, identificá-los, enterrá-los," disse Osama Pilil, um morador local.

Davies afirma que o mau cheiro no hospital é terrível. As pessoas tentam limpar o local e trazê-lo de volta à normalidade - uma tarefa quase impossível, segundo o correspondente, devido ao grande número de corpos.

Já o repórter da BBC Rupert Wingfield-Hayes visitou o hospital do distrito de Mitiga, testemunhando uma cena parecida. Ele contou 17 corpos, todos de militantes rebeldes.

Segundo os médicos, os rebeldes haviam sido feito prisioneiros pelas forças de Khadafi em uma escola. Os corpos apresentam marcas de tortura e de muitos disparos. Há relatos de pelo menos uma execução sumária.

Kirsty Campbell, da ONG International Medical Corps, disse à BBC que um navio com medicamentos e médicos está seguindo para Trípoli.

"Conseguimos um barco em Misrata com remédios há dois dias. Acabamos de atracar e temos alguns médicos que vieram de Malta", disse.

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Foto: Reuters

Funcionário transporta corpos em hospital no distrito de Abu Salim, em Trípoli

Massacre

O chefe do escritório da BBC no Oriente Médio, Paul Danahar, relata ter visto na quinta-feira corpos de dois soldados leais a Khadafi também com sinais de execução.

Os correspondentes verificaram sinais de massacre nos dois lados envolvidos no conflito.

A ONU disse que irá investigar relatos de execução sumária e tortura por meio de uma comissão de inquérito. Um porta-voz da ONU pediu o fim da violência.

"Exortamos todos em posições de autoridade na Líbia, incluindo comandantes militares, a tomar medidas para evitar que nenhum crime, ou ato de vingança, seja cometido", disse Rupert Colville, porta-voz de direitos humanos da ONU.

A Anistia Internacional também denunciou execuções sumárias de prisioneiros nos dois lados do conflito.

Um porta-voz da Cruz Vermelha disse à BBC que os dois lados mantêm centenas de prisioneiros. Robin Waudo pediu às partes envolvidas que respeitem os direitos dos prisioneiros de guerra, dispostos em convenções internacionais.

"Exortamos todos em posições de autoridade na Líbia, incluindo comandantes militares, a tomar medidas para evitar que nenhum crime, ou ato de vingança, seja cometido"

Rupert Colville, porta-voz de direitos humanos da ONU

Sirte

Três dias após a ocupação do quartel-general de Khadafi, cujo paradeiro ainda é desconhecido, ainda há bolsões de resistência em Trípoli.

Segundo um comandante rebelde, cerca de 95% da capital líbia está sob controle das forças opositoras.

Após a tomada de Trípoli, a cidade natal de Khadafi, Sirte, passou a ser o maior foco de resistência do antigo regime líbio.

Nesta sexta-feira, a Otan (aliança militar do Ocidente) uniu-se aos rebeldes na operação para a tomada de Sirte, que fica no sul do país.

Nas últimas horas, forças rebeldes cercaram a cidade. Militantes rebeldes estão negociando uma rendição com os anciãos de Sirte, a fim de evitar um ataque maciço.

Apesar da resistência mais dura que a esperada, o repórter da BBC Paul Wood, que acompanha a operação, diz que o clima entre os rebeldes é de euforia.

A Otan afirma que seus aviões atingiram 29 veículos leais ao regime que estavam carregados com bombas nos arredores de Sirte. Um complexo de defesa antimísseis também foi bombardeado próximo à Trípoli.

Foto: AFP

Rebeldes a caminho de Sirte, cidade natal de Khadafi

Bunker

Jatos britânicos, integrantes da missão conjunta, bombardearam um bunker do líder líbio no local.

O Ministério da Defesa da Grã-Bretanha confirmou o ataque ao bunker, embora não haja indicações de que Khadafi e familiares estivessem no local.

"Não é questão de encontrar Khadafi, mas de assegurar que seu regime não tenha capacidade de continuar atacando seu próprio povo", disse à BBC o secretário da Defesa britânico, Liam Fox.

Segundo Fox, o ataque teve caráter preventivo, para evitar que líderes do regime eventualmente deixem Trípoli para se estabelecer no local.

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