Forças sírias matam sete pessoas ao final do Ramadã, dizem ativistas

Foto: Reprodução de vídeo feito por cinegrafista amador Direito de imagem BBC World Service
Image caption Milhares de pessoas teriam participado dos protestos desta terça-feira

Sete pessoas teriam sido mortas por forças de segurança na Síria nesta terça-feira, ao final do mês sagrado islâmico do Ramadã, segundo ativistas.

Diversas manifestações foram realizadas contra o governo do presidente Bashar al-Assad em várias partes do país, após as orações matinais.

Ativistas dizem que seis pessoas foram mortas na província de Deraa. Muitos manifestantes também teriam ficado feridos na capital síria, Damasco.

Os cemitérios também foram palco de protestos, já que a terça-feira marcou o início do festival muçulmano do Eid, que encerra o Ramadã, no qual muitos muçulmanos visitam túmulos de parentes.

Em Deraa, centenas de integrantes das forças de segurança teriam aberto fogo contra a multidão que deixava a mesquita de Al-Omari e rumava para o cemitério. Um menino de 13 anos teria sido morto, disseram ativistas.

"Eles podem matar quantos de nós eles quiserem, não vamos deixar de exigir a mudança de regime", disse um ativista à agência Associated Press.

"Em vez de celebrar o Eid, estamos apenas protestando. Vamos continuar nossa revolução até que ela atinja seu objetivo. Não queremos mais o regime, queremos nos livrar dele", disse um morador de Damasco à BBC.

"Temos saído (às ruas) por cinco meses, sempre enfrentando munição real com nossos peitos nus e alguns se perguntam: por quanto tempo mais conseguiremos manter isso?", afirmou.

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Image caption Rede de TV estatal síria mostrou imagens de Assad rezado em Damasco

"Acredito que a comunidade internacional deve assumir sua total responsabilidade contra o regime sírio, adotar todas as medidas práticas para pará-lo e proteger os civis", disse.

A TV estatal síria exibiu imagens do presidente comparecendo a orações em uma das mesquitas da capital. As imagens mostram ele, depois das orações, tomando café e comendo bolos junto ao público.

Também na terça-feira, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, expressou sua "preocupação profunda e contínua sobre a violência perpetrada pelo regime sírio contra manifestantes pacíficos, ativistas de defesa dos direitos humanos e a população síria como um todo".

A ONU diz que mais de 2.200 pessoas foram mortas em manifestações em favor de reformas democráticas desde meados de março. O governo sírio responsabiliza "gangues armadas e criminosas" pelos tumultos.

O governo sírio vem proibindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país, dificultando a verificação das informações de forma independente.