Países ‘amigos’ prometem liberar US$ 15 bi para reconstrução da Líbia

Líderes de governo na França. AFP Direito de imagem AFP
Image caption Em Paris, 'amigos da Líbia’ pediram ao CNT líbio que lidere um processo de reconciliação

O Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT) obteve nesta quinta-feira a promessa de um grupo de "países amigos" de que cerca de US$ 15 bilhões em bens do regime do coronel Muamar Khadafi serão desbloqueados "o mais rápido possível" para ajudar na reconstrução do país.

A decisão foi tomada pelos representantes de 63 países e organizações internacionais que participaram da Conferência Internacional de Apoio à Nova Líbia, realizada nesta quinta-feira, em Paris.

Além do apoio econômico, o CNT também recebeu a garantia de que a ajuda militar da Otan irá continuar, até a captura de Khadafi.

"Enquanto Khadafi for uma ameaça, os ataques continuarão", afirmou em entrevista coletiva o presidente francês, Nicolas Sarkozy, após o encontro.

O presidente francês disse esperar que a recente intervenção na Costa do Marfim e a atual, na Líbia, sejam o início de uma política que "coloque a força militar ao serviço das populações que correm risco" nas mãos de seus próprios governantes, afirmando que isso sempre deve ser feito com a autorização da ONU.

Reconciliação

Em contrapartida, o novo "grupo de amigos" da Líbia pediu que o CNT inicie um processo de reconciliação e perdão, para ajudar na reconstrução do país.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que irá trabalhar junto com o Conselho para organizar o envio, em breve, de uma missão de ajuda humanitária ao país.

"Todos concordamos em dizer que a comunidade internacional deve trabalhar junta na reconstrução do país", disse Ban.

Durante o encontro, o líder do CNT, Moustafa Abdel Jalil, apresentou seus planos para formar um governo “interino e democrático”, que garantirá, segundo ele, "os direitos humanos, a liberdade e a Justiça."

Jalil agradeceu o apoio das nações presentes na reunião e garantiu que os responsáveis "por violações graves dos direitos humanos em seu país, serão levados à Justiça" e receberão um tratamento justo.

Brasil

O Brasil foi representado na reunião por seu embaixador no Egito, Cesário Melantonio Neto, que deixou o encontro sem falar com os jornalistas.

Em comunicado divulgado pela embaixada brasileira na França, o governo afirma que o "Brasil está ao lado do povo líbio em suas aspirações por liberdade e democracia".

No entanto, o país voltou a defender o "Conselho de Segurança da ONU como instância primordial para o tratamento de questões de paz e segurança."

A posição do Brasil é a mesma desde as discussões sobre a adoção da resolução 1973, que autorizou os bombardeios da Otan sobre Líbia. Na época, o Brasil se absteve durante a votação.

Questionado sobre as rixas dentro do Conselho de Segurança durante a aprovação da resolução 1973, Sarkozy lembrou que o Brasil, assim como China, Rússia e Índia, tinham enviado representantes à reunião desta quinta-feira em Paris.

"As coisas estão progredindo", disse Sarkozy. "A Líbia precisa do mundo todo."

Entrega de Sirte

Uma alta autoridade do CNT disse à BBC que líderes tribais em Sirte, cidade natal de Khadafi e principal foco de resistência dos partidários do coronel, terão até o dia 10 para viabilizar a entrega pacífica da cidade.

A medida representa uma extensão de uma semana em relação ao prazo inicialmente dado pelos insurgentes.

O CNT também afirmou que muitos integrantes proeminentes do regime de Khadafi mantiveram cnotato para discutir uma possível rendição.

Mais cedo, Khadafi declarou que não pretende se render e que vai continuar a lutar pelo controle da Líbia.

"Que haja uma longa luta e que a Líbia seja tomada pelas chamas", disse Khadafi, em um discurso de origem incerta, transmitido pela TV síria Arrai.

"Não vamos desistir. Não somos mulheres. Vamos continuar a lutar", diz a mensagem transmitida pela Arrai. O líder permanece foragido, em local desconhecido.

Notícias relacionadas