Khadafi diz que não se renderá e convoca partidários a lutar

Imagem de TV síria mostrada durante discurso de Khadafi (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption 'Não vamos desistir. Não somos mulheres', disse líder líbio

O líder líbio Muamar Khadafi declarou nesta quinta-feira que não pretende se render e que vai continuar a lutar pelo controle da Líbia, em um momento em que seus opositores tomaram a maior parte da capital líbia, Trípoli, e cercaram Sirte, sua cidade natal.

“Que haja uma longa luta e que a Líbia seja tomada pelas chamas”, disse Khadafi, em um discurso de origem incerta, transmitido pela TV síria Arrai. O líder permanece foragido em local desconhecido.

Na mensagem, Khadafi pediu a seus simpatizantes que prossigam a luta pelo controle da Líbia e armem emboscadas contra “agentes do colonialismo e traidores”. Disse que seus opositores estão divididos e que não conquistarão o apoio das tribos líbias.

“Não vamos desistir. Não somos mulheres. Vamos continuar a lutar”, diz a mensagem transmitida pela Arrai.

Ao mesmo tempo, uma autoridade sênior do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão criado pelos opositores de Khadafi na Líbia, disse à BBC que estendeu o ultimato dado a líderes tribais em Sirte.

Até então, o CNT havia dito aos líderes em Sirte – último grande bastião de Khadafi no país – que eles tinham até sábado para se render, antes que as tropas rebeldes lançassem um ataque contra a cidade.

Agora, o CNT diz que os chefes tribais terão mais uma semana para optar fazer a transmissão de poder na cidade.

De acordo com a autoridade do CNT, os líderes tribais já perceberam a sua própria desvantagem em um possível enfrentamento contra os rebeldes, que têm o apoio militar das potências ocidentais, mas ainda precisam convencer as tropas do coronel Khadafi.

Nesta quinta-feira, os líderes tribais discutiram as distintas alternativas, mas não chegaram a um consenso.

Sanções suspensas

No front internacional, diversos países se reúnem nesta quinta em uma reunião em Paris para discutir o futuro da Líbia.

A União Europeia anunciou a suspensão de sanções contra 28 empresas líbias, com o objetivo de ajudar o governo interino do país a reativar a atividade econômica.

A medida inclui o fim de sanções a seis autoridades portuárias, mais de uma dezena de companhias nos setores de gás e petróleo, diversos bancos e instituições financeiras e a companhia aérea nacional.

A UE também congelou os bens de 39 cidadãos líbios, incluindo Khadafi, e seus filhos. Eles também estão proibidos de entrar nos países do bloco.

Diversos Estados-membros da UE já reconheceram o Conselho Nacional de Transição (CNT) como governo legítimo do país.

O encontro desta quinta reúne representantes até mesmo de países que não apoiaram a resolução da ONU que autorizou a campanha aérea comandada pela Otan contra forças de Khadafi, como Brasil, Alemanha, Rússia e a China.

Direito de imagem AP
Image caption França, de Sarkozy, deu forte apoio aos rebeldes comandados por Jibril.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o comandante da Otan, Anders Fogh Rasmussen, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, estarão entre os presentes. Líderes árabes, como o emir do Qatar e o rei da Jordânia, também participarão da reunião.

A reunião visa a estabelecer as medidas necessárias para promover a reconstrução do país, abalado por seis meses de guerra civil.

Durante esse período, a UE já contribuiu com 150 milhões de euros (cerca de R$ 340 milhões) em ajuda humanitária para o país.

A comissária europeia para o assunto, Kristalina Georgieva, advertiu que cerca de um terço da população da capital, Trípoli - pelo menos 400 mil pessoas -, corre risco de ficar sem acesso a comida e água.

Notícias relacionadas