Turquia expulsa embaixador de Israel por ataque à frota de ajuda a Gaza

Atualizado em  2 de setembro, 2011 - 08:47 (Brasília) 11:47 GMT
Ahmet Davutoglu, chanceler turco (AP)

Chanceler turco anunciou rebaixamento das relações diplomáticas bilaterais

A Turquia afirmou que vai expulsar o embaixador israelense no país, em resposta a dados divulgados por um relatório da ONU sobre o ataque de Israel, em 2010, a uma frota de embarcações que rumava à Faixa de Gaza.

À expulsão do embaixador – medida que tem forte simbolismo diplomático – se somará a suspensão de acordos militares com Israel.

As embarcações levavam ativistas pró-palestinos, que tentavam furar o bloqueio israelense a Gaza e entregar suprimentos à região, em maio do ano passado. Uma ofensiva militar israelense contra a frota deixou nove ativistas turcos mortos – o que estremeceu as relações entre Turquia e Israel, consideradas chave na estabilidade do Oriente Médio.

Uma investigação da ONU sobre o episódio derivou em um relatório, que será divulgado nesta sexta-feira. Segundo uma cópia do documento obtida antecipadamente pelo New York Times, os militares israelenses usaram força excessiva ao enfrentar a frota naval civil.

Mas a conclusão do relatório vazado ao NYT é de que o bloqueio marítimo israelense a Gaza – criado sob a justificativa de evitar a entrega de armas ao grupo islâmico Hamas – é "legítimo".

O documento afirma, porém, que "nenhuma explicação satisfatória foi provida por Israel para nenhuma das nove mortes", e provas forenses apontam que "a maioria dos mortos foi alvejada várias vezes, nas costas ou à queima roupa".

O chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse nesta sexta que algumas das conclusões apresentadas no relatório são "inaceitáveis" e anunciou a "redução de nível" das relações diplomáticas bilaterais.

Mavi Marmara, embarcação que tentou furar o bloqueio de Gaza e foi atacado por Israel (AFP)

Frota liderada por turcos tentava furar o bloqueio israelense à faixa de Gaza

Ancara exige um pedido de desculpas de Israel, que se nega a fazê-lo, alegando que seus militares agiram em defesa própria ao serem atacados pelos civis da frota.

Em comunicado obtido pela BBC, uma fonte do governo israelense diz que Israel aceita o relatório da ONU "com reservas", alegando que seus soldados invadiram a frota a Gaza "com meios não letais".

"Israel lamenta a perda de vidas (de ativistas pró-palestinos), mas não pedirá desculpas por atos de defesa própria", prossegue o comunicado, que alega que o governo israelense "fez tentativas recentes de resolver a disputa com a Turquia. Infelizmente essas tentativas não foram bem-sucedidas".

Laços deteriorados

O episódio provocou forte reação internacional no ano passado e forçou Israel a aliviar as restrições à entrada de produtos em Gaza. Mas o bloqueio marítimo permaneceu em vigor, e outras frotas foram criadas recentemente para tentar furá-lo.

O correspondente da BBC em Istambul, Jonathan Head, explica que as relações turco-israelenses, congeladas desde o incidente de 2010, estão agora em seu pior nível possível.

A ONU, por sua vez, diz, no mesmo relatório, que os dois países deveriam "retomar as relações diplomáticas plenas, por interesse na estabilidade no Oriente Médio e da segurança e paz internacional".

Uma autoridade sênior do governo israelense disse à agência AP, em condição de anonimato, que seu país acredita que a Turquia está propositadamente deteriorando suas relações com Israel para melhorar sua percepção perante países árabes e islâmicos.

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