União Europeia impõe embargo a petróleo da Síria

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Image caption Segundo a ONU, mais de 2.200 pessoas durante os protestos, que já duram seis meses

A União Europeia intensificou as sanções contra a Síria, impondo um embargo à importação de petróleo do país.

O endurecimento em relação à Síria é uma reação à repressão violenta promovida pelo regime do presidente Bashar al-Assad contra a onda de protestos populares no país.

O petróleo responde por 25% dos lucros da Síria e a União Europeia utiliza 95% das exportações

A decisão foi anunciada na cidade de Sopot, na Polônia, durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores da União Europeia.

Pouco antes do encontro, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia pressionado pela adoção de sanções mais duras contra o regime de Assad e feito um apelo por uma ampla adesão contra o regime sírio.

A chancelaria holandesa disse que as sanções ''atingiriam em cheio o coração do regime''.

Onda de protestos

Ativistas disseram que nesta sexta-feira a Síria voltou a viver uma onda de protestos de rua em todo o país.

As manifestações realizadas após as tradicionais orações de sexta-feira já se tornaram uma rotina no país nos últimos seis meses e vêm se intensificando, a despeito do uso de força por parte de forças do governo.

Segundo ativistas, a repressão aos protestos desta sexta-feira teria deixado ao menos sete pessoas mortas. Desde o início da onda de protestos, mais de 2.200 pessoas foram mortas, de acordo com a ONU.

Um representante da União Europeia disse que o acordo deve ser assinado pelos ministros europeus na Polônia até o sábado, quando termina o encontro, e deverá entrar em vigor imediatamente.

Mas a Itália obteve uma concessão que permitirá que ela mantenha seus contratos atuais até o dia 15 de novembro.

Outros mercados

Segundo o repórter da BBC Owen Bennett-Jones, que está atualmente na fronteira entre Síria e Líbano, o petróleo sírio poderá encontrar outros mercados.

De acordo com o repórter da BBC, os governos ocidentais querem ser vistos como ativos, em vez de apenas estarem recorrendo à retórica, utilizando sanções e tudo que está ao alcance deles - à exceção da ação militar - para dar a impressão de que eles estão determinados em pressionar por mudanças na Síria.

''Mas não há quaisquer indicações de que tais ações tornaram o presidente Assad mais fraco do que quando a insurreição começou. E os manifestantes estão nas ruas há quase seis meses e não mostram sinais de que irão arrefecer.

Assad perdeu o controle das ruas e parece não haver sinais de que ele irá retomá-la'', afirma Bennett-Jones.