Tigre-da-Tasmânia, caçado até a extinção, não era ameaça, diz estudo

Atualizado em  2 de setembro, 2011 - 11:43 (Brasília) 14:43 GMT
Tigre-da-tasmânia

Caçadores recebiam recompensa do governo para matar os tigres-da-tasmânia

O tigre-da tasmânia (Thylacinus cynocephalus), animal caçado até a extinção na Austrália graças à sua fama de devorador de ovelhas, não era uma ameaça para os fazendeiros, segundo um estudo publicado no Journal of Zoology.

De acordo com pesquisadores da Universidade de New South Wales, em Sydney, o animal, também conhecido como lobo-da-tasmânia ou lobo marsupial, tinha mandíbulas fracas e suas presas precisariam de ter o tamanho de um esquilo.

"Nossa pesquisa mostra que sua mandíbula fraca permitia apenas que ele atacasse presas menores e mais ágeis", disse Marie Attard, que liderou o estudo.

"Esta é uma característica incomum em grandes predadores, considerando que eles pesavam cerca de 30 quilos e tinham uma dieta carnívora. Quanto à suposta habilidade (dos tigres-da-tasmânia) de comer ovelhas, nossas descobertas indicam que essa reputação é, no mínimo, exagerada."

Foto: University of New South Wales

As áreas vermelhas e brancas indicam fraqueza

Além de sugerir que a caça aos tigres-da-tasmânia, incentivada e premiada por governos locais, não era justificada, a pesquisa também concluiu que a dieta do animal contribuiu para seu desaparecimento.

"Eles precisavam caçar muitos animais pequenos para sobreviver, logo pequenas alterações no ecossistema, como as causadas pela chegada de colonos europeus, teriam reduzido suas chances de sobrevivência", explica Attard.

Os tigres-da-tasmânia habitaram várias áreas da Austrália e da Nova Guiné, mas no fim do século 19 só podiam ser encontrados na Tasmânia.

O último espécime, chamado Ben, morreu em 1936 no zoológico de Hobart.

Testes computadorizados

Os cientistas da Universidade de New South Wales usaram avançadas técnicas de computação para simular diversos comportamentos predatórios e analisar o crânio do tigre-da-tasmânia.

Tigre-da-tasmânia

O último espécime morreu em 1936 no zoológico de Hobart

"Nós escaneamos o crânio e aí aplicamos o mesmo programa normalmente utilizado em engenharia para calcular a pressão sobre estruturas construídas pelo homem, como pontes e asas de aeronaves", diz Stephen Wroe, que também participou da pesquisa.

O teste revelou que as mandíbulas do animal eram simplesmente fracas demais para abater uma ovelha adulta.

"Se um grande carnívoro, como um tigre por exemplo, quer matar uma presa grande, ele tem que prender seu pescoço e sufocá-la. O tigre-da-tasmânia não seria capaz disso."

Os pesquisadores também explicaram que os dentes do animal não eram feitos para triturar ossos.

"Ele ganhou uma reputação muito ruim na sua época, acusado de ser um cruel e devastador assassino de ovelhas", diz Attard.

Quando a iminente extinção da espécie ficou clara, o tigre-da-tasmânia recebeu proteção oficial do governo da ilha, mas já era tarde demais.

"Isso só aconteceu dois meses antes do último espécime conhecido morrer no zoológico de Hobart."

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