Forças de Khadafi resistem a cerco em Bani Walid

Opositores de Khadafi rezam em mesquita próxima a Bani Walid Direito de imagem AFP
Image caption Opositores de Khadafi rezam em mesquita próxima a Bani Walid, cidade cercada e sob ultimato

Tropas leais ao coronel Muamar Khadafi resistem nesta sexta-feira ao avanço dos opositores, que tentam se aproximar da cidade-chave de Bani Walid, no noroeste da Líbia.

O Conselho Nacional de Transição (CNT), que tenta firmar-se como novo governo líbio, diz que foguetes foram lançados a partir da cidade – um dos quatro grandes bastiões de Khadafi remanescentes na Líbia –, um dia antes de vencer o ultimato para a rendição pacífica de Bani Walid.

As tropas do CNT cercaram toda a cidade e dizem que há civis tentando escapar, mas sendo impedidos pelas forças de Khadafi.

O correspondente da BBC Richard Galpin, que está próximo ao local, relata que é possível ver fumaça das explosões dos foguetes, que deixaram pessoas feridas, e que há relatos de que franco-atiradores foram posicionados na cidade.

Os ataques, diz Galpin, são um sinal de que os aliados de Khadafi não parecem ter a intenção de se render até este sábado – prazo dado pelo CNT.

O Conselho, que prometera atacar a cidade caso a rendição não aconteça, afirmou que não pretende estender o prazo do ultimato.

Há relatos de confrontos também nos arredores de Sirte, cidade natal de Khadafi e outro bastião do coronel.

Líderes líbios

Também nesta sexta, a Interpol (polícia internacional) emitiu um alerta vermelho de busca por Khadafi, seu filho Saif al-Islam e seu chefe de inteligência.

Os três – cujo paradeiro é desconhecido – são procurados pelo Tribunal Penal Internacional, para responder a acusações de crimes contra a humanidade durante a repressão aos rebeldes.

A Interpol disse em comunicado que o novo mandado de prisão “vai restringir significativamente a habilidade dos três homens de cruzar fronteiras internacionais”.

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Image caption Tropas antirregime prometeram atacar a cidade caso não haja rendição até sábado

O alerta vermelho é usado pela Interpol para advertir países-membros sobre pessoas procuradas e dar aos países amparo legal para prender os fugitivos se estes estiverem em seu território.

Khadafi prometeu não deixar a Líbia e manter a luta pelo poder, mas há relatos de que tenha escapado para o Níger - o que o país vizinho nega.

O Níger já virou refúgio de apoiadores de Khadafi, incluindo generais que comandaram ofensivas contra rebeldes líbios.

Nesta sexta, um comboio levando dezenas de importantes aliados de Khadafi cruzou a fronteira nigerina, segundo fontes do país, que alega razões humanitárias para recebê-los.

Outros membros do regime, como o chefe de segurança Mansour Daw, já chegaram à capital nigerina, Niamei.

O Níger, que reconheceu o Conselho Nacional de Transição como o governo legítimo da Líbia, afirma ainda não ter decidido como agir caso Khadafi peça asilo ao país.

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