Guatemala escolhe presidente preocupada com a insegurança

Atualizado em  11 de setembro, 2011 - 21:39 (Brasília) 00:39 GMT
Eleição na Guatemala. AFP

A Guatemala tem uma das mais altas taxas de homicídios do mundo, ou 52 por 100 mil

Os guatemaltecos compareceram às urnas neste domingo para eleger prefeitos, deputados e o novo presidente do país. A grande preocupação dos eleitores é com a insegurança.

A votação terminou no fim da tarde e ainda não há resultados consolidados. A expectativa, no entanto, é que o general da reserva Otto Pérez Molina chegue à frente no primeiro turno. O segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto é o advogado Manuel Baldizón.

Caso nenhum dos candidatos consiga mais de 50% dos votos, os dois mais votados vão se enfrentar em um segundo turno, em novembro.

O sucessor do atual presidente, Álvaro Colom, vai assumir um país ameaçado por grupos criminosos mexicanos, que tem cruzado as fronteiras da América Central, instalando-se nos países da região e espalhando violência.

Embora as autoridades comemorem avanços no combate ao crime, como a recente redução de homicídios em 9%, a insegurança persiste. A Guatemala tem uma das mais altas taxas de homicídios do mundo, 52 por cada 100 mil habitantes.

Dentre os eleitores, 66% considera a insegurança o principal problema do país.

Um dos casos que mais chamou a atenção foi o massacre que deixou 27 mortos no Departamento de El Petén, na fronteira com o México.

Geidy de Mata, diretora da faculdade de Ciências Políticas da Universidade de San Carlos, lembra que faltam à Guatemala recursos e estabilidade institucional para enfrentar uma possível onda de insegurança, fenômeno que atinge regiões do México.

"Há grandes desafios para consolidar sistemas de inteligência e implementar programas de prevenção a delitos. Se a maioria da população não tem acesso à educação, saúde ou trabalho, a pobreza gera um ambiente para o crime", diz.

Pena de morte

O líder das pesquisas é Otto Pérez Molina (Partido Patriota). O lema do candidato é "Mão dura, cabeça e coração". O general da reserva lutou durante o conflito civil no país e foi um dos negociadores do acordo de paz de 1996.

Em entrevista à BBC Mundo, Molina diz que vai recorrer ao Exército para combater a criminalidade. Ele diz ainda que irá procurar a cooperação de países da região, como os Estados Unidos.

O principal concorrente de Molina é Manuel Baldizón (do partido Líder).

Sua proposta mais polêmica é a convocação de um referendo para os guatemaltecos decidirem se querem a aplicação da pena de morte no país.

"Não estamos radicalizando nem estamos com obsessão para sua aplicação", explica à BBC Mundo.

Baldizón também propõe a criação de uma guarda nacional.

O combate à criminalidade também faz parte da agenda do terceiro candidato a aparecer nas pesquisas, Eduardo Suger (Creo). Para ele, a única forma de combater o narcotráfico é apelar ao Exército.

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