Líder do Conselho de Transição líbio diz rejeitar 'ideologia extremista'

Mustafa Abdul Jalil em discurso. Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Em discurso, Jalil diz que Estado moderno deve ter participação das mulheres

O líder do Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT), Mustafa Abdul Jalil, disse nesta segunda-feira na capital do país, Trípoli, que os novos líderes líbios não aceitarão qualquer "ideologia extremista".

Em seu primeiro discurso em Trípoli desde que o controle da cidade foi tomado das forças do coronel Muamar Khadafi, no fim de agosto, Jalil disse ainda que um Estado democrático moderno deverá ter uma participação ativa das mulheres.

De acordo com o correspondente da BBC em Trípoli Peter Biles, o líder do CNT afirmou que seu movimento é a favor de um Islã moderado, e que deverá seguir neste caminho.

Já Khadafi, por meio de uma mensagem lida em uma rede de TV líbia, fez mais um apelo a seus partidários para que continuem lutando e não se entreguem nas quatro cidades ainda sob seu controle no sul do país.

A mensagem afirma que a luta dos partidários do coronel é uma guerra para libertas a Líbia do "colonialismo ocidental".

O pronunciamento de Jalil foi feito na rebatizada Praça dos Mártires - local onde Khadafi discursava durante seu regime.

O discurso foi transmitido ao vivo pela televisão. Biles afirma que, ao fim do pronunciamento, a multidão reunida na Praça dos Mártires explodiu em aplausos e gritos, empunhando bandeiras, enquanto fogos de artifício eram acionados na área portuária da capital.

Biles afirma que o CNT prometeu a formação de um governo de transição na Líbia dentro de dez dias. No entanto, segundo o correspondente da BBC, ainda existem grandes desafios para estabilizar o país - o principal dele sendo os bolsões de resistência favoráveis a Khadafi no sul do país.

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Image caption Portando bandeiras, multidão foi à Praça dos Mártires assistir ao discurso de Jalil

Bani Walid

O correspondente da BBC Richard Galpin, que está em Bani Walid, no sul, afirma que a batalha por esta cidade e por Sirte, local de nascimento do coronel, estão sendo muito mais difíceis do que previam as forças leais ao CNT.

Segundo o repórter, os combates em Bani Walid foram interrompidos nesta segunda-feira. Um comandante disse à BBC estar esperando que os aviões de guerra da Otan continuem seus bombardeios contra o armamento pesado usado pelas tropas pró-Khadafi dentro da cidade.

O comandante, de acordo com Galpin, disse que a cidade deve cair rapidamente, assim que os aviões da Otan retomem os bombardeios, e que as forças contrárias a Khadafi já controlam o noroeste de Bani Walid.

O correspondente da BBC diz que a ofensiva na cidade parece ter sido caótica, com uma quantidade insuficiente de homens, muitos deles inexperientes em combates.

De acordo com Galpin, famílias que deixam a cidade afirmam que Bani Walid enfrenta a falta de comida, enquanto as ruas da cidade estão desertas e as lojas, fechadas.

Críticas da Anistia

A Anistia Internacional pediu nesta segunda-feira que o CNT tome medidas para prevenir a violação dos direitos humanos por parte das forças contrárias a Khadafi.

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Image caption Pessoas deixando Bani Walid afirmam que cidade está deserta e sem comida (Foto: Reuters)

Em seu último relatório, a entidade de defesa dos direitos humanos diz que, enquanto a maior parte das violações ocorreu até agora por parte dos combatentes a favor do coronel, os combatentes leais ao CNT também estão envolvidos em casos de tortura e execuções.

No documento, a Anistia afirma que os abusos cometidos pelas tropas pró-Khadafi incluem ataques deliberados a civis, uma campanha ampla de desaparecimentos, detenção arbitrária e tortura - atrocidade que, segundo a entidade, podem levar a crimes de guerra.

Da parte dos opositores do regime do coronel, o relatório denuncia o linchamento de africanos negros suspeitos de ser mercenários a favor de Khadafi, assassinatos por vingança e tortura de soldados inimigos capturados.

A Anistia afirma que ainda faltam informações mais completas sobre a situação na Líbia, mas pediu que a oposição a Khadafi contenha os abusos aos direitos humanos e combata a xenofobia e o racismo.

Mohammed al-Alagi, considerado ministro da Justiça do CNT, admite que as forças de oposição a Khadafi cometeram erros, mas diz que é errado descrever as suas ações dos como crimes de guerra.

"Eles não são as forças armadas, são apenas pessoas comuns", disse Al-Alagi à agência Associated Press.

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