Brasil dá 'sinais mais claros' de desaceleração, diz OCDE

Consumidores em frente à loja na rua Oscar Freira, em São Paulo (AP) Direito de imagem AP
Image caption OCDE acredita que atividade econômica continue se enfraquecendo pelos próximos meses

O Brasil é o país que dá sinais mais claros de desaceleração econômica entre as principais economias do planeta, afirma a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

De acordo com o relatório mensal da entidade, divulgado nesta segunda-feira, o indicador que antecipa a atividade econômica nos próximos seis a nove meses está mais fraco no Brasil que em qualquer outro dos principais países emergentes ou industrializados.

O chamado indicador composto avançado (CLI, na sigla em inglês) tem como base o valor 100, que representa a intensidade da atividade econômica no longo prazo.

Depois de se recuperar dos efeitos da crise econômica de 2008, o Brasil vinha conseguindo manter um indicador levemente acima da tendência.

Neste ano, porém, o CLI caiu abaixo dos 100 pontos, até chegar a 95 em julho. Em relação ao mês anterior, isto representa uma queda de 1,7%.

"É um indicativo forte de que o Brasil terá uma desaceleração nos próximos seis a nove meses", disse à BBC Brasil o porta-voz da OCDE Nadim Ahmad.

"Mas a intensidade dessa desaceleração não é algo que possamos medir através do CLI. Não podemos dizer que a desaceleração no Brasil será mais intensa que em outros países, apenas que temos mais certeza de que ela ocorrerá."

<b>Mundo em desaceleração</b>

O CLI é um indicador qualitativo – mais que quantitativo – criado para antecipar em cerca de um semestre as tendências da atividade econômica nos países medidos.

A medição considera diferentes indicadores econômicos de curto prazo ligados ao PIB, como a produção industrial.

Em julho, a organização detectou sinais de desaceleração em praticamente todos os países, embora na maioria dos desenvolvidos a atividade tenha permanecido acima de 100.

Isto os coloca na categoria de em "leve desaceleração", pelos critérios da OCDE. Nesta classificação ficaram a zona do euro e os Estados Unidos.

No Japão, onde nos últimos dois meses os sinais de atividade econômica permaneceram estáveis, a OCDE acredita que a economia já esteja chegando próximo do ponto de inflexão.

Entre os emergentes, o indicador na China caiu 0,2% em julho, mas continua em 100,3, o que indica uma leve desaceleração.

A Índia é o segundo país onde os especialistas mais vêem sinais de queda no ritmo do crescimento da economia. O CLI indiano em julho ficou em 95,7.

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