Filho de Khadafi ganha asilo no Níger

Saadi Khadafi, em 2005. AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Saadi, que foi jogador profissional e capitão da seleção de futebol, tentou negociar com rebeldes

Um dos filhos do coronel Muamar Khadafi, Saadi Khadafi, recebeu asilo político no Níger.

O governo do Níger havia confirmado que o país, vizinho à Líbia, havia permitido a entrada de Saadi Khadafi por razões humanitárias, e que este se estava na capital, Niamey.

Saadi teria entrado no Níger em um comboio, com dez pessoas, vindo da Líbia. O carro foi interceptado pelas autoridades do Níger.

Um comboio anterior, que cruzou o Níger na semana passada levando aliados de Khadafi, fomentou especulações de que o líder líbio, cujo paradeiro é desconhecido, poderia estar tentando buscar refúgio no país vizinho.

Mas essas informações foram desmentidas pelo governo do Níger. Também houve rumores de que o primeiro comboio teria como destino Burkina Faso, outro país que poderia acolher Khadafi.

Paradeiro desconhecido

O paradeiro do coronel permanece desconhecido. Ele já anunciou que irá morrer na Líbia.

A mulher de Khadafi, Saifa, e seus filhos Hannibal e Muhammad, buscaram refúgio na Argélia. A filha Aisha também está no país vizinho, onde deu à luz um dia após sua chegada.

Duas semanas após a tomada de Trípoli, a maior parte da Líbia está sob controle do Conselho Nacional de Transição (CNT), que comanda as forças rebeldes.

Mas militantes pró-Khadafi ainda controlam várias cidades, como Bani Walid e a cidade natal do líder foragido, Sirte, ambas sitiadas por tropas ligadas ao CNT.

Direito de imagem AP
Image caption Bani Walid continua sendo foco de intensos confrontos

No domingo, forças anti-Khadafi retomaram os ataques que vinham promovendo contra Bani Walid, situada a 180 quilômetros de Trípoli, com o apoio de forças da Otan.

No início de setembro, fontes ligadas ao CNT relataram que Saadi Khadafi teria entrado em contato com os rebeldes para negociar um cessar-fogo na Líbia.

Até a queda de Khadafi, Saadi era o presidente da Federação Líbia de Futebol. Antes, ele chegou a ser capitão da seleção líbia e teve uma rápida carreira como jogador profissional na Itália.

Saadi também investia na produção de filmes na Líbia.

No sábado, venceu o ultimato dado pelo CNT para a rendição de Bani Walid, o que desencadeou uma ação militar contra a cidade.

Os combatentes anti-Khadafi estimaram que em poucas horas tomariam o centro da cidade, mas parecem ter encontrado muito mais resistência do que o esperado inicialmente.

Direito de imagem AP
Image caption Abdul-Jalil diz a simpatizantes que eles não devem retaliar regime

Em sua primeira visita à capital Trípoli desde a tomada da cidade, o presidente do CNT, Mustafa Abdul-Jalil, disse a simpatizantes que o momento é de união, e não de vingança.

"Não é tempo de retaliação. Muitos direitos foram perdidos (no regime de Khadafi) e há muitas tragédias em que poderíamos insistir, mas não é a hora. A hora é de nos unirmos", declarou.

Observadores apontam que um dos maiores desafios de Abdul-Jalil é estabilizar a Líbia e tentar formar um governo efetivo nacional, que seja reconhecido pelos líbios.

O CNT já foi reconhecido como legítimo por cerca de 60 países e por instituições como o FMI.

Notícias relacionadas