Novais se demite do Turismo e é 5º ministro a deixar o governo

Pedro Novais. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil Direito de imagem Abr
Image caption Novais foi alvo de denúncias de que usava funcionários da Câmara para serviços particulares

Após denúncias de que usava funcionários da Câmara para serviços particulares, o ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB-MA), apresentou nesta quarta-feira sua demissão à presidente Dilma Rousseff.

Novais é o quinto ministro a deixar o governo de Dilma em menos de três meses, desde que Antonio Palocci pediu demissão, em junho.

No fim da noite de quarta-feira, ficou definido que o deputado federal Gastão Vieira (PMDB-MA) será o substituto de Novais à frente do Turismo.

A saída de Novais ocorre no mesmo dia em que o jornal Folha de S.Paulo noticiou que sua mulher usou irregularmente um servidor da Câmara dos Deputados como motorista particular.

Na terça-feira, o jornal publicou que a governanta de Novais também foi paga pela Câmara, onde ele atuou como deputado até assumir o ministério.

O ministro disse ter usado o motorista somente enquanto era deputado; quanto à governanta, afirmou que ela trabalhou até dezembro no seu gabinete como secretária parlamentar.

As denúncias ocorreram quase um mês após Novais exonerar quatro servidores da pasta investigados na Operação Voucher, da Polícia Federal. Eles são acusados de envolvimento em desvios de até R$ 3 milhões em recursos públicos para capacitação profissional no Amapá.

Os quatro ocupavam cargos não concursados. Um deles era assessor do ex-secretário-executivo do ministério, Frederico da Silva Costa, um dos 38 presos durante a operação, em 9 de agosto. Todos já foram soltos.

A operação da PF investiga um convênio assinado entre o Ministério do Turismo e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), uma organização sem fins lucrativos, para treinamento de 1,9 mil profissionais de turismo no Amapá.

As investigações foram desencadeadas a partir da fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU).

Próximo à família Sarney, Novais, 80 anos, é advogado e tinha sido reeleito para seu sexto mandato na Câmara quando foi convidado a chefiar o ministério do Turismo, indicado pelo PMDB.

Em 2009, apresentou projeto, posteriormente aprovado, que obriga o governo federal a providenciar locais de acesso à informação turística em aeroportos e estações rodoviárias e ferroviárias.

Ele começou a carreira política na década de 1970, ao se filiar à Arena, partido que apoiava a ditadura militar (1964-85). Em 1980, mudou-se para o PMDB. O político ainda passaria pelo PDC e pelo PPR antes voltar ao PMDB, em 1994.

Novais foi ainda secretário de Fazenda do Maranhão por duas ocasiões, nas décadas de 1970 e 1980. Antes de ingressar na política, foi auditor fiscal do Tesouro Nacional, em 1956.

Demissões

Há um mês, outro ministro do governo Dilma deixou o cargo - o também peemedebista Wagner Rossi, que chefiava a Agricultura.

Ele pediu demissão após uma série de denúncias desencadeadas por uma entrevista do ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Oscar Jucá, em que disse haver "bandidos" no ministério, sugerindo que Rossi tinha conhecimento de atos ilícitos na pasta.

O ministro-chefe da Casa Civil e principal articulador político de Dilma, Antonio Palocci, foi o primeiro a deixar o governo, em junho deste ano, após a revelação de que seu patrimônio multiplicou-se por 20 enquanto exerceu mandato de deputado federal, entre 2007 e 2010.

Depois de Palocci, Alfredo Nascimento, titular dos Transportes, foi substituído, assim como quase toda a cúpula do ministério, em meio a denúncias sobre um suposto esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por construtoras e consultorias dentro da pasta.

Após as demissões, o PR, partido de Nascimento, decidiu deixar a coalizão governista.

No início de agosto, foi a vez do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), deixar o governo. Ele pediu demissão após a repercussão de uma reportagem da revista piauí, em que criticou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

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