Plano fiscal dos EUA terá efeito limitado, diz FMI

Direito de imagem Reuters
Image caption Maior economia do mundo enfrenta um deficit recorde no orçamento

Em seu mais recente relatório sobre a economia global, o FMI (Fundo Monetário Internacional) disse nesta quarta-feira que os planos de ajuste fiscal do governo americano não serão suficientes para reduzir o deficit em conta corrente do país.

A maior economia do mundo enfrenta um deficit recorde no orçamento e uma batalha política sobre medidas para solucionar o problema.

No início de agosto, após várias semanas de impasse, o Congresso americano aprovou um pacote que prevê cortar os gastos em US$ 917 bilhões (cerca de R$ 1,58 trilhão) em uma década. Mas governo e Congresso ainda precisam definir como vão cortar outros cerca de US$ 1,5 trilhão.

No entanto, em um capítulo do World Economic Outlook (“Perspectivas da Economia Mundial”, em tradução livre) antecipado nesta quarta-feira, o FMI diz que “a magnitude relativamente pequena” das medidas permanentes de consolidação fiscal contempladas pelo governo americano sugere que “contribuirão pouco” para reduzir o deficit em conta corrente do país.

A íntegra do relatório será divulgada na próxima semana, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, em Washington.

Mudanças

No capítulo já antecipado, o FMI analisa as mudanças na política fiscal em diversas economias avançadas nos últimos 30 anos e conclui que, de modo geral, reduzir o deficit orçamentário em 1% do PIB (Produto Interno Bruto) melhora o balanço em conta corrente em mais de 0,5% do PIB dentro de um período de dois anos.

Direito de imagem AP
Image caption FMI divulgará relatório completo sobre a economia global durante reunião com o Banco Mundial

Essa melhora é mantida no médio prazo, diz o documento, e se traduz não apenas em menos importações, devido à queda na demanda doméstica, mas também no aumento das exportações, resultante de uma moeda mais fraca.

No entanto, no caso de economias em que a política monetária está restrita, como os Estados Unidos ou o Japão, onde as taxas de juros já estão próximas de zero, e também no caso da zona do euro, que integra uma união monetária, o ajuste de conta corrente é “mais doloroso”, diz o documento.

Segundo o FMI, entre os impactos dolorosos está uma “compressão mais forte de salários e preços domésticos".

Os Estados Unidos registram uma lenta recuperação após a crise econômica mundial, e recentemente vêm crescendo o temor de que o país possa mergulhar em uma nova recessão.

Além do deficit recorde, o país enfrenta uma taxa de desemprego considerada muito alta pelo próprio governo, de 9,1% em agosto, patamar que se mantém quase inalterado há cerca de dois anos.

Dados divulgados na terça-feira pelo escritório responsável pelo censo do país revelam que o número de americanos vivendo na pobreza chegou ao recorde de 46,2 milhões de pessoas no ano passado.

Notícias relacionadas