Abbas confirma pedido à ONU e diz que Estado palestino é direito legítimo

Mahmoud Abbas. Direito de imagem AP
Image caption Presidente palestino rebateu críticas à decisão de tentar a participação na ONU

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, confirmou nesta sexta-feira que vai pedir ao Conselho de Segurança da ONU, na semana que vem, o reconhecimento de um Estado palestino como membro pleno das Nações Unidas.

"Vamos à ONU pedir pelo direito legítimo de obter o status de membro pleno para o Estado da Palestina dentro da organização", disse Abbas, durante discurso em Ramallah, na Cisjordânia.

Em seu pronunciamento, transmitido pela televisão, o líder palestino afirmou que espera o reconhecimento do Estado palestino no território definido pelas fronteiras anteriores à guerra de 1967, tendo Jerusalém Oriental como capital, e insistiu que os palestinos "não vão desistir" de acabar com a ocupação israelense.

"Não vamos nos render, não vamos desistir, mas todos consideram que isso é um avanço na nossa luta. E Deus nos ajudará no estabelecimento de nosso Estado palestino", disse Abbas.

O presidente da Autoridade Palestina também afirmou que o possível reconhecimento na ONU não significará uma ameaça à Organização pela Libertação da Palestina (OLP) - que, atualmente, tem apenas status de observador na organização.

"A OLP continuará a existir da mesma maneira e continuará até a resolução de todos os assuntos pendentes que existem. Não só até existir uma solução, mas também até a solução ser implantada."

Ocupação

Segundo Abbas, os territórios palestinos demonstraram, nos últimos dois anos, que têm capacidade de organizar instituições que os permitam obter sua independência e que estão comprometidos com as negociações com o lado israelense.

O presidente culpou as "políticas inflexíveis do governo de Israel" pelo pouco avanço nas negociações de paz, mas acrescentou que a iniciativa palestina não pretende questionar a legitimidade do país.

"Ninguém pode tirar a legitimidade de Israel. É um Estado, é reconhecido. Mas podemos isolar a política de Israel. Queremos tirar a legitimidade da ocupação, e não do Estado de Israel."

Abbas se referiu à ocupação israelense como um "pesadelo" nas vidas dos palestinos. "Nós somos o único povo no mundo que está sob ocupação", afirmou.

"Não estamos indo à ONU para voltar com a independência, esta não é a questão aqui. Mas queremos voltar como membros da ONU com base nas fronteiras de 1967 para discutirmos outros assuntos como fronteiras, água e segurança."

Em seu discurso, o líder palestino também pediu a retomada dos diálogos de paz com os israelenses, que ameaçaram rejeitar todos os acordos assinados até o momento caso Abbas leve adiante seu pleito na ONU.

Os Estados Unidos já disseram que usarão seu poder de veto no Conselho de Segurança para bloquear o pedido do Estado palestino, alegando que tal reconhecimento só pode ser obtido através de negociações com Israel.

O governo israelense afirma que a iniciativa palestina ameaça as perspectivas de paz e que o melhor caminho para isso são negociações diretas entre palestinos e Israel.

Ministros israelenses ameaçaram retaliar, inclusive com sanções financeiras, o pedido de reconhecimento palestino. Israel considera a medida uma tentativa de minar a sua legitimidade.

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