Obama defende que ricos paguem ‘fatia justa’ para reduzir deficit

Atualizado em  19 de setembro, 2011 - 15:52 (Brasília) 18:52 GMT
Foto: Getty

Anúncio de Obama será feito nesta segunda-feira

Em mais um capítulo da queda-de-braço entre a Casa Branca e o Congresso americano para chegar a um acordo sobre como combater o rombo recorde no orçamento dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama apresentou nesta segunda-feira detalhes de seu plano para reduzir o deficit do país em mais de US$ 3 trilhões (cerca de R$ 5,3 trilhões) nos próximos dez anos.

Ao anunciar a proposta, em um pronunciamento na Casa Branca transmitido pela TV, Obama voltou a defender o aumento de impostos para as camadas mais ricas da sociedade e disse que vai vetar qualquer projeto que inclua apenas corte de gastos.

“Vou vetar qualquer projeto que mude os benefícios para aqueles que dependem do Medicare (sistema público de saúde para idosos) mas não aumente a receita ao não pedir aos americanos mais ricos e às grandes corporações que paguem a sua fatia”, disse Obama.

A discussão sobre a redução do deficit americano se arrasta há meses no Congresso.

Enquanto o Partido Democrata, de Obama, se recusa a cortar muitos programas sociais, a oposição republicana, que tem o controle da Câmara dos Representantes (deputados federais), não aceita qualquer proposta que inclua aumento de impostos.

Diante desse cenário, analistas afirmam que são poucas as chances de o plano de Obama ser aprovado pelo Congresso.

Detalhes

Metade da redução total no deficit prevista no plano de Obama – ou US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 2,6 trilhões) – deve vir da maior arrecadação de impostos.

Esse aumento na arrecadação será feito por meio de mudanças no sistema de tributação que inclui, entre outras medidas, o fim de um programa de cortes de impostos para os mais ricos, aprovado ainda durante o governo de George W. Bush.

“Famílias de classe média não deveriam pagar mais impostos do que milionários e bilionários”, disse Obama.

A proposta é que americanos que ganham mais de US$ 1 milhão (R$ 1,78 milhões) por ano estejam sujeitos às mesmas alíquotas pagas pelos que ganham menos, acabando com brechas no sistema atual.

O presidente chegou a batizar essa mudança na cobrança de impostos de “Lei Buffett”, em referência ao bilionário Warren Buffett, que certa vez reclamou do fato de pagar menos impostos do que seus funcionários.

Cortes

O plano apresentado por Obama, no entanto, também prevê também alguns cortes nos programas públicos de saúde.

São cortes de US$ 248 bilhões (aproximadamente R$ 443 bilhões) em gastos do Medicare e de US$ 72 bilhões (R$ 128,5 bilhões) no Medicaid (para pessoas de baixa renda).

O presidente propôs ainda economizar outros US$ 250 bilhões (R$ 446 bilhões) por meio de cortes em outros programas, incluindo subsídios agrícolas.

Também está prevista economia de US$ 1,1 trilhão (R$ 1,96 trilhão) por meio da já prevista retirada de tropas do Iraque e do Afeganistão.

O presidente disse que é preciso agir agora para evitar que o “fardo” recaia sobre as próximas gerações.

“Temos que cortar o que não podemos pagar, para (conseguir) pagar o que realmente importa”, disse.

Barreiras

No início de seu pronunciamento, Obama disse que esperava com suas propostas concluir o que foi iniciado no verão (do hemisfério norte), referindo-se ao acordo para elevar o teto da dívida pública americana, fechado às pressas em agosto após longas semanas de impasse no Congresso.

Obama mencionou o fato de, na ocasião, o líder da Câmara, o republicano John Boehner, ter “abandonado” a discussão de uma proposta “equilibrada”.

Logo após o pronunciamento desta segunda-feira, porém, Boehner disse que as “barreiras” para um acordo permanecem, citando a “insistência” do governo em aumentar impostos.

O plano de Obama será submetido a uma “supercomissão” criada no Congresso como resultado da negociação para elevar o teto da dívida.

Composta por seis democratas e seis republicanos, essa comissão tem o objetivo de identificar até o fim de novembro maneiras de cortar os gastos em US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 2,6 trilhões).

A proposta desta segunda-feira foi apresentada pouco mais de uma semana após Obama ter levado ao Congresso um plano no valor de US$ 447 bilhões (R$ 798 bilhões) para combater o desemprego no país.

Às vésperas das eleições do ano que vem, na qual buscará se reeleger, Obama enfrenta o desafio de combater o crescimento lento do país, insuficiente para baixar a taxa de desemprego, que há cerca de dois anos se mantém em torno de 9%, patamar considerado alto e, segundo o próprio, sem perspectivas de mudança no curto prazo.

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