Na ONU, Dilma pedirá articulação para solucionar crise econômica

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Image caption Presidente Dilma participou de eventos com outros líderes mundiais em Nova York esta semana

A presidente Dilma Rousseff pedirá nesta quarta-feira, ao discursar na abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU, uma articulação entre os países para superar a crise econômica global.

Segundo um diplomata que teve acesso a um esboço do texto, Dilma deve ainda expressar apoio aos anseios de povos do norte da África e do Oriente Médio, protagonistas da chamada Primavera Árabe, que se mobilizaram em favor de mais abertura política e liberdades individuais.

Dilma será a primeira mulher a discursar na abertura do evento, a cargo do Brasil desde a 1ª Sessão Especial da Assembleia, em 1947. À época, coube ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha o discurso inaugural da sessão, tradição que se manteve desde então.

O discurso de Dilma também representará sua estreia na Assembleia Geral e ocorrerá na véspera da primeira viagem oficial da presidente à Europa. Ela deve passar os dias 4 e 5 de outubro em Bruxelas durante a Europalia, festival de artes que nesta edição homenageará o Brasil. Em seguida, deve ir à Bulgária, país onde seu pai nasceu, e à Turquia.

Críticas

Em sua fala na ONU, segundo o diplomata, Dilma deve criticar a forma como os países mais afetados pela crise econômica têm tratado a questão.

Em agosto, durante a cerimônia de lançamento da nova política industrial do governo, ela afirmou que a persistência da crise internacional era gerada pela "insensatez, incapacidade política e supremacia de ambições regionais ou corporativas de alguns países".

"O Brasil tem condições de enfrentar essa crise, mas não pode se declarar imune a seus efeitos", afirmou a presidente.

O governo teme que a longa duração da crise afete o ciclo de crescimento do país, de cujo vigor depende para implantar suas políticas sociais.

Em seu discurso, a presidente também saudará a Primavera Árabe. Desde janeiro, uma onda de manifestações populares no norte da África e no Oriente Médio levou à queda dos governos da Tunísia, Egito e Líbia. Os manifestantes exigem mais liberdades políticas e civis, bem como reformas econômicas que reduzam as assimetrias sociais em seus países.

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Image caption Presidente discutiu crise econômica com Obama e deve falar do assunto na ONU

É possível ainda que a presidente se refira à demanda palestina por um aval da ONU à sua soberania, um dos principais temas desta edição da Assembleia Geral, e que pode ser levado à votação nos próximos dias. O Brasil, assim como seus vizinhos sul-americanos, já reconheceu a Palestina como um Estado soberano.

Reformas

Dilma dirá ainda que sua prioridade como presidente é reduzir a pobreza no Brasil, e citará a melhoria dos padrões de vida dos brasileiros mais pobres nos últimos anos.

A presidente também defenderá a reforma de instituições internacionais para que países emergentes, entre os quais o Brasil, ampliem sua representatividade. Ela argumentará que as nações em desenvolvimento hoje desempenham um papel global maior do que quando essas instituições foram moldadas.

Entre as mudanças que julga necessárias, Dilma mencionará a reforma do Conselho de Segurança da ONU e reforçará a demanda brasileira por um assento permanente no órgão.

Hoje, o Brasil ocupa um dos 15 postos rotativos no órgão, que tem como atribuição zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional. Há cinco membros permanentes na instituição, com poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha.

Dilma também deve se referir ao fato de ser a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral e afirmar que, no Brasil, as mulheres têm importância cada vez maior nas famílias, economia e política. Ela elogiará a criação, em 2010, da ONU Mulheres, órgão que defende a igualdade de gêneros e o fortalecimento do papel das mulheres na sociedade.

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