Após acusações, Paquistão diz que EUA podem perder aliado

Hina Rabbani Khar (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Hina afirmou que declarações de Mullen são inaceitáveis

A ministra do Exterior do Paquistão, Hina Rabbani Khar, afirmou que os Estados Unidos poderão perder o apoio do país caso continuem a acusar publicamente o governo paquistanês de apoiar militantes extremistas.

Na quinta-feira, o mais graduado oficial militar americano, o almirante Mike Mullen, acusou a agência de inteligência do Paquistão de dar apoio ao grupo militante Haqqani, supostamente responsável pelo ataque à embaixada americana no Afeganistão, na semana passada.

Nesta sexta-feira, a ministra paquistanesa disse ao canal de televisão paquistanês Geo TV em Nova York que os Estados Unidos não podem arcar com a perda do apoio do governo ou do povo paquistanês.

"Vocês vão perder um aliado", disse Khar, que está participando da Assembleia Geral da ONU. "Vocês não podem arcar com a perda do apoio do Paquistão, vocês não podem afastar o povo paquistanês."

O primeiro-ministro do país, Yousuf Raza Gilani também criticou as declarações de Mullen.

"Eles não podem viver conosco. Eles não podem viver sem nós", disse Gilani a jornalistas.

"Então, eu diria a eles que, se eles não podem viver sem nós, eles devem aumentar os contatos conosco para acabar com os mal-entendidos."

Os Estados Unidos, por sua vez, voltaram a criticar o Paquistão. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que o Paquistão deve cortar qualquer laço com os militantes da rede Haqqani.

Inaceitável

A ministra do Exterior paquistanesa afirmou que declarações como a de Mike Mullen são inaceitáveis.

"Eu fico muito cautelosa com todas estas acusações, pois não são mais do que acusações no momento e este não é o espírito de uma parceria", afirmou.

"Qualquer coisa que seja dita a respeito de um aliado, sobre um parceiro, publicamente, para recriminá-lo, para humilhá-lo, não é aceitável", afirmou.

As declarações de Hina Rabbani Khar foram uma resposta à declaração de Mullen durante uma audiência no Senado americano. O almirante, que é chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, disse que a "rede Haqqani atua como um verdadeiro braço da Agência de Inteligência do Paquistão".

O ataque à embaixada e outros prédios oficiais na terça-feira da última semana deixou 25 mortos, entre eles 11 civis, quatro policiais e dez militantes.

Mullen disse aos senadores que com apoio do serviço de inteligência paquistanês, o Haqqani "planejou e conduziu o ataque com um caminhão-bomba".

"Também temos informações consistentes de que eles estiveram por trás dos ataques contra o Hotel Inter-Continental de Cabul em 28 de junho e de uma série de outras operações pequenas, mas efetivas", disse Mullen, que no fim do mês deixa a chefia do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas.

A rede Haqqani, um aliado do grupo afegão Talebã, é acusada de comandar vários ataques contra alvos ocidentais e também indianos (dada a animosidade entre Índia e Paquistão), bem como contra prédios do governo do Afeganistão.

Autoridades paquistanesas com frequência descrevem a rede Haqqani como um grupo predominantemente afegão. Segundo especialistas, no entanto, a rede tem origem no interior do Paquistão.

As declarações de Mullen são mais uma mostra da deterioração das relações entre Estados Unidos e Paquistão, que ficou aparente depois da morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, em território paquistanês. Na época, autoridades americanas acusaram Islamabad de dar apoio aos militantes islâmicos.

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