Grécia faz apelo por financiamento a investidores alemães

Papandreou, ao lado da chanceler alemã Angela Merkel, em Berlim, nesta terça (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Papandreou tenta convencer investidores que financiar a recuperação grega trará retornos

O premiê da Grécia, George Papandreou, fez nesta terça-feira um apelo a empresários alemães, para que ajudem seu país a enfrentar a atual crise da dívida.

Em visita a Berlim, Papandreou tenta convencer os alemães, que estão entre os maiores credores da Grécia, que o financiamento da recuperação grega trará retorno e que o país pagará suas dívidas.

"Será um investimento em uma Grécia diferente, que confronta problemas ignorados por décadas", afirmou o premiê. "Posso assegurar que seu investimento na Grécia não nos manterá presos ao passado. É um investimento para levar a Grécia ao futuro."

Também afirmou que seu país está fazendo esforços "sobrehumanos" para cortar seus níveis de endividamento e para implementar reformas que buscam competitividade.

Papandreou está em Berlim para encontro com a chanceler (premiê) Angela Merkel, para discutir os progressos de Atenas no combate ao deficit orçamentário.

No final desta semana, a Alemanha votará pela aprovação ou rejeição de um projeto que visa estender os poderes de um fundo europeu de resgate (EFSF, ou European Financial Stability Facility), que o permitiria comprar títulos da dívida de países com altos deficits e de bancos com pouco capital.

Plano para o euro

A visita ocorre num momento em que a zona do euro tenta arquitetar um plano de recuperação para suas economias em perigo. A Grécia é um dos focos do projeto, que deve ficar pronto em até seis semanas.

Segundo informações preliminares, a proposta inclui injeções de recurso no EFSF, o fortalecimento dos bancos europeus expostos às dívidas soberanas dos países e um possível calote parcial e controlado da Grécia.

Na segunda-feira, porém, Atenas negou oficialmente que uma moratória estivesse sendo planejada.

Também se discute a liberação do último lote de um pacote de resgate à Grécia, a ser usado para pagar as dívidas do país.

Nesta semana, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI devem ir ao país, revisar o progresso grego no controle de seus níveis de endividamento.

Nesta terça, Papandreou disse que, por conta das medidas de austeridade impostas, seu país terá superavit orçamentário (gastará menos do que arrecadará) até 2012 e que o setor público – considerado deficitário – deixará de ser um "obstáculo ao crescimento".

Fazendo paralelos com a reunificação alemã, o premiê afirmou que a Grécia está "renascendo". "Sua contribuição pode ser crucial", disse ele, em discurso a empresários.

Merkel respondeu, no mesmo evento, dizendo que "nós (Alemanha) respeitamos o que a Grécia fez em termos de mudanças estruturais".

A chanceler também disse acreditar que novos pacotes de estímulo não são a resposta para a atual crise da dívida.

"Precisamos combinar crescimento econômico com finanças públicas sólidas", disse ela. "Estou convencida de que é errada a ideia de que você vai estimular o crescimento fazendo uma dívida ainda maior."

Merkel voltou, ainda, a criticar a proposta de emitir títulos conjuntos da dívida dos países da zona do euro – os chamados eurobonds, defendidos por uma ala do bloco econômico – porque, segundo ela, os títulos desestimulariam os países endividados a cumprir com as reformas de que necessitam.

Mercados

Propostas para combater a crise da dívida foram discutidas por líderes do G20 no último final de semana, mas autoridades europeias dizem que ainda falta consenso em diversos pontos.

O bloco, que reúne economias desenvolvidas e emergentes, tem uma nova reunião agendada para novembro, em Cannes.

Apesar das dúvidas, a perspectiva de um novo acordo para recuperar a zona do euro deu ânimo aos mercados, após fortes turbulências na semana passada.

Na manhã desta terça (horário de Brasília), as bolsas europeias e subiam entre 3% e 4%. Altas eram registradas também nos índices Nasdaq e Dow Jones (EUA) e no Ibovespa (que subia 1,75% por volta de 10h30).

Analistas advertem, porém, que a volatilidade dos mercados deve seguir vigente, enquanto não estiverem claros os efeitos práticos dos planos de recuperação econômica.

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