Cientistas são mortos na Síria; ativistas culpam governo

Tanque em Homs. Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Morte ocorreu na cidade de Homs, palco de protestos contra o governo

Um professor de física nuclear foi morto próximo à sua casa na cidade de Homs, na região central da Síria, no mais recente caso de uma série de assassinatos de cientistas na cidade.

Um ativista afirma que atiradores do governo são os responsáveis pela morte de Ous Abdel Karim Khalil, mas outro diz que o assassinato pode ter sido um ato de vingança.

A morte do cientista ocorreu enquanto confrontos continuam ocorrendo entre as forças de segurança e soldados desertores na cidade de Rastan, que fica perto de Homs.

A agência de notícias estatal síria, Sana, diz que o cientista nuclear foi morto com um tiro na cabeça de autoria de um "grupo terrorista", enquanto a sua mulher o levava de carro para o trabalho.

No entanto, alguns ativistas culpam o regime. "Eles estão tentando disseminar o caos, o medo e o terror na esperança de que os manifestantes sejam amedontrados e levados a refugiar-se", disse o ativista Mustafa Osso, que vive na Síria.

O chefe do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, entidade com sede na Grã-Bretanha, afirma que as mortes de Khalil e de outros três cientistas são parte de uma tentativa do regime do presidente Bashar Al-Assad de provocar a discórdia em Homs.

A ONU estima que mais de 2.700 pessoas foram mortas na Síria desde o início da repressão violenta às manifestações contra o governo, em março.

Assad alega que seu regime está combatendo "gangues de terroristas armados" que contam com apoio estrangeiro.

Contra-ataque

As forças de segurança têm intensificado a sua repressão aos manifestantes.

Relatos indicam que, em Rastan, cidade estratégica que é palco de frequentes protestos, soldados que desertaram estão empreendendo violentos combates com as forças de segurança pelo segundo dia consecutivo.

"Eles (as forças de segurança) conquistaram uma posição segura na parte sul de Rastan, mas o Exército da Síria Livre está contra-atacando e já destruiu três veículos blindados", disse um morador à agência de notícias Reuters, referindo-se aos desertores.

O Exército entrou em Rastan no início dessa terça-feira, depois de cercar a cidade por dois dias.

Foram divulgados vídeos que supostamente mostram um grupo de soldados anunciando a sua deserção.

As imagens, que não podem ser verificadas de forma independente, são de um homem identificando a si mesmo como capitão Youssef Hammoud, ao lado de cerca de oito homens uniformizados.

Centenas de cidadãos armados e desertores estariam combatendo as tropas do governo em Rastan.

Jornalistas estrangeiros têm sido, em sua grande maioria, impedidos de entrar no país. No entanto, observadores dizem que há sinais crescentes de que opositores do regime estão recorrendo para a força, acreditando que protestos pacíficos não serão suficientes para derrubar o governo.

Resolução

Enquanto isso, a Rússia fez críticas a um plano de resolução da ONU sobre a Síria.

Os países europeus que propuseram a resolução desistiram de exigir sanções imediatas contra o governo sírio.

O esboço da resolução, apresentado por Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal, e apoiado pelos Estados Unidos, ameaça aplicar sanções somente se a repressão a manifestantes não terminar.

O texto tinha como objetivo conquistar o aval de Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que têm se mostrado contrários a ações de represália à Síria.

Mesmo assim, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse que a proposta de resolução encorajaria a violência, sendo a "continuidade da política de troca de regime adotada em relação à Líbia".

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