'Economist' lista denúncias como 'gols contra' de Ricardo Teixeira

Ricardo Teixeira. Foto: CBF Direito de imagem AFP
Image caption Revista chama presidente da CBF de 'uma das figuras mais manchadas do futebol'

Uma reportagem publicada na edição desta semana da revista britânica The Economist afirma que, enquanto o Brasil espera melhorar sua imagem com a Copa do Mundo de 2014, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) está "cercada de irregularidades", citando denúncias que seriam "gols contra" do presidente da entidade, Ricardo Teixeira.

A revista diz que, ao mesmo tempo em que a presidente Dilma Rousseff "tenta fazer o melhor para limpar a política do país", demitindo ministros ligados a acusações de corrupção, a Copa do Mundo é comandada por Teixeira, classificado pela Economist como "uma das figuras mais manchadas do futebol".

A reportagem cita denúncias já divulgadas por órgãos de mídia contra o presidente da CBF (que também chefia a comissão organizadora da Copa), incluindo a afirmação do dirigente britânico David Triesman de que Teixeira pediu dinheiro em troca de seu voto em favor da candidatura da Grã-Bretanha para a Copa de 2018.

A Economist cita ainda o programa da BBC Panorama, que acusou Teixeira e o ex-presidente da Fifa João Havelange de ganhar propina nos anos 1990, relacionada a direitos de televisão e anúncios publicitários da Copa do Mundo.

Uma investigação da Fifa já inocentou o presidente da CBF das acusações de Triesman. Quanto às propinas citadas pelo Panorama, advogados que atuam em nome da Fifa contestam a decisão de um promotor de Zug, cidade no nordeste da Suíça, que determinou a divulgação de detalhes do caso.

Outra denúncia citada pela reportagem diz respeito a um amistoso entre Brasil e Portugal, realizado em Brasília, em 2008. Segundo a revista, um contrato foi fechado semanas antes de jogo entre o governo do DF e a empresa Ailanto, chefiada por Sandro Rosell, aliado de Teixeira e atual presidente do Barcelona.

De acordo com a Economist, o contrato de R$ 9 milhões tratava de direitos de marketing e "serviços vagamente definidos". A revista afirma que o caso, já publicado por órgãos de mídia do Brasil, está sendo investigado por corrupção.

Leia mais na BBC Brasil: Investigação inglesa não encontra provas para incriminar Teixeira

Contratos

A revista diz ainda ter cópias de três contratos relacionados a negócios cujos propósitos, segundo ela, "não são imediatamente óbvios".

Um deles, datado de 2009, trata do aluguel de uma fazenda de Teixeira no Rio de Janeiro a Vanessa Precht, ex-sócia da Ailanto, por R$ 10 mil mensais por cinco anos. De acordo com a Economist, dois parlamentares querem investigar o caso, por suspeita de que o negócio seja uma forma da Ailanto devolver ao presidente da CBF parte do dinheiro recebido com o jogo entre Brasil e Portugal.

Os outros dois contratos, segundo a reportagem, dizem que o empresário Claudio Honigman teria pago R$ 22,5 milhões a Teixeira e a Sandro Rosell, de quem havia sido sócio, para comprar de volta 10% das ações da corretora Alpes.

A revista afirma que, embora os contratos indiquem que as ações haviam sido vendidas anteriormente a Teixeira e Rosell, a Alpes afirma que Honigman nunca teve participação acionária na corretora.

A Economist diz que Teixeira não quis comentar os fatos relatados em sua reportagem.

A BBC Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa da CBF para que comentasse a reportagem, mas não obteve resposta.

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