Indígenas retomam protesto contra rodovia na Bolívia

Protesto na Bolívia (Foto: AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Dois ministros já deixaram o governo devido à repressão ao protesto

Manifestantes indígenas retomaram o protesto contra a construção da rodovia que passaria por uma reserva florestal no país, um projeto que conta com recursos brasileiros.

Há uma semana a marcha dos manifestantes foi interropida pela polícia. Neste sábado, cerca de mil pessoas começaram a percorrer os 250 quilômetros restantes do percurso até a capital, La Paz.

A marcha dos manifestantes contra a obra começou em 15 de agosto, em Trinidad (Departamento de Beni), com destino a La Paz, capital política do país.

O protesto é contra a construção do segundo trecho da estrada, entre Villa Tunari, no Departamento de Cochabamba (centro) e San Ignácio de Moxos, no Departamento de Beni, próximo à fronteira com o Brasil.

A estrada passaria pela reserva de TIPNIS (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure), ao lado do território brasileiro. Estima-se que 13 mil pessoas, de diferentes comunidades indígenas, morem neste território.

O percurso teria cerca de 300 quilômetros e um custo aproximado de US$ 420 milhões, financiados com recursos brasileiros, segundo o governo do presidente da Bolívia, Evo Morales.

"Retomamos a marcha e não temos intenção de entrar em confronto com ninguém", disse neste sábado o líder indígena Adolfo Chavez à agência de notícias Reuters.

"Ao invés de acusar o povo indígena, o governo deveria resolver o problema da estrada de uma vez por todas", acrescentou.

Apoio

A polícia boliviana usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes nos confrontos ocorridos há uma semana. Imagens de televisão da ação da polícia causaram polêmica no país.

Depois da divulgação das imagens ocorreram várias manifestações de apoio ao protesto em La Paz e outras cidades.

A ministra da Defesa, Cecilia Chacon, renunciou ao cargo como protesto e o ministro do Interior, Sacha Llorenti, que é o responsável pela polícia do país, também renunciou.

Morales suspendeu a construção da estrada e prometeu um referendo para a aprovação ou não da continuidade das obras. Além disso, o presidente boliviano também negou responsabilidade pela ação da polícia.

A polêmica causada pelo projeto da estrada dividiu os movimentos sociais que ajudaram Morales a se transformar no primeiro presidente indígena do país.

Morales afirma que a estrada vai estimular o desenvolvimento econômico e a integração regional. Mas os manifestantes afirmam que a obra vai estimular assentamentos ilegais e a devastação da floresta.

Os manifestantes afirmam ainda que Morales está fugindo de seus compromisso de proteger os direitos indígenas e o meio ambiente.

Mas, também ocorreram manifestações de apoio ao projeto organizados por grupos indígenas ainda leais ao presidente.

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