Oposição síria forma conselho para enfrentar governo

Protesto em Homs na sexta-feira (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Apesar da repressão, os protestos contra o governo sírio continuam

Grupos de oposição da Síria formaram uma frente unida para desafiar o poder do presidente Bashar al-Assad.

Depois de uma reunião de dois dias na Turquia, os líderes de oposição sírios anunciaram a criação oficial do Conselho Nacional Sírio, que já tinha sido anunciada no mês passado.

O diretor do conselho, Burhan Ghalion, um acadêmico que mora na França, afirmou que a nova iniciativa já conseguiu unir os oponentes de al-Assad dentro de fora da Síria.

"O Conselho Nacional Sírio reuniu as forças de oposição e a revolução pacífica", disse Ghalioun à agência de notícias AFP.

"O conselho rejeita qualquer internaferência de fora que prejudique a soberania do povo sírio", acrescentou.

A diretoria do conselho também conta com a porta-voz Bassma Kodmani e membros da Irmandade Muçulmana. Segundo Kodmani o conselho vai eleger um presidente e realizar uma assembleia geral com seus 190 membros no próximo mês.

Além disso, terá também representantes para cada facção da oposição síria em sua diretoria.

O correspondente da BBC no Líbano Owen Bennett-Jones, afirmou que a oposição síria sabe que precisa garantir uma liderança alternativa e confiável, mas até o momento não tinha conseguido criar uma organização que unisse as várias correntes que são contra o governo.

Mas, o novo Conselho Nacional Sírio ainda precisa provar se vai se manter coeso, disse o correspondente.

Rastan

Neste domingo ativistas e a televisão estatal da Síria anunciaram que os soldados do governo agora assumiram o controle total da cidade de Rastan, na região central a 160 quilômetros ao norte da capital, Damasco.

Ativistas afirmaram que o governo enviou 250 tanques e veículos blindados para tentar reprimir a revolta na cidade. Cerca de 50 destes veículos já saíram de Rastan neste domingo.

"Muitas casas foram destruídas lá e a situação humanitária está muito ruim", informou a organização de defesa dos direitos humanos com base na Grã-Bretanha Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

"Temos informações de que dezenas de civis foram mortos e enterrados nos jardins das casas enquanto o Exército bombardeava a cidade", acrescentou a organização de acordo com a agência de notícias AP.

Desertores do Exército que tinham se juntado ao combate junto aos oposicionistas divulgaram uma declaração onde afirmam que foram obrigados a se retirar.

"Devido aos reforços e às armas usadas em Rastan pelas gangues de (Bashar al) Assad... decidimos nos retirar para combater melhor na luta pela liberdade", informaram os militares.

A agência de notícias estatal Sana informou que "a calma e estabilidade foram restauradas" na cidade de 40 mil habitantes e que a vida voltou ao normal em Rastan. A cidade enfrentou seis dias de combates.

Jornalistas estrangeiros não podem trabalhar livremente na Síria e as informações não podem ser confirmadas.

A ONU estima que mais de 2.700 pessoas foram mortas na Síria desde o início da repressão violenta às manifestações contra o governo, em março.

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