Brasil não está imune à 'crise mundial profunda', diz Dilma

Dilma ao lado do presidente búlgaro, Georgi Parvanov (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Dilma (na foto, com presidente Búlgaro) criticou países que adotam políticas fiscais rígidas

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira durante visita a Sófia, na Bulgária, que o mundo está enfrentando uma nova "crise econômica bastante profunda" e que o Brasil não está imune a esse cenário.

Nos últimos meses, autoridades financeiras como o FMI e o Banco Mundial têm alertado para a possibilidade de uma nova recessão e para "novos perigos" para a economia global.

"Nós não estamos imunes ao aprofundamento da crise, mas trabalhamos com esforço e discernimento para manter esses fundamentos macroeconômicos e ao mesmo tempo não comprometer as políticas de crescimento e de inclusão social que são a principal defesa e razão do nosso sucesso", disse a presidente.

'Terapia prescrita'

Em discurso a uma plateia de empresários brasileiros e búlgaros em Sófia, Dilma se manifestou sobre dois dos principais assuntos que estão sendo debatidos pelas autoridades financeiras da Europa no momento: a política fiscal e a possibilidade de fragmentação do bloco.

Sem citar nenhuma nação, Dilma criticou os países que estão adotando políticas fiscais rígidas, apenas cortando gastos públicos e elevando impostos. A presidente defende que para acelerar a recuperação do bloco, alguns governos precisam estimular a economia gastando mais, mas com cuidado para não elevar ainda mais o deficit público.

Segundo ela, alguns "países desenvolvidos que não encontraram o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos necessários para retomar o crescimento e encontram-se em uma encruzilhada".

"Muitas vezes o que gerou a crise é reafirmado e prescrito como terapia", disse Dilma.

Dilma defendeu que o Brasil achou o equilíbrio adequado, ao atingir "um processo fiscal de consolidação, buscando sempre diminuir a nossa relação de endividamento sobre o PIB."

Ela também disse que o Brasil, ao contrário de outros países desenvolvidos, regulou o sistema bancário com maior rigidez, aumentando a estabilidade.

"Apostamos em marcos regulatórios para o sistema financeiro e bancário brasileiro bastante robustos, com grandes exigências de capitais para os nossos bancos."

Sobre a possibilidade de fragmentação do bloco, ela fez coro aos apelos da chanceler alemã Angela Merkel, que tem defendido a importância de medidas duras para salvar a União Europeia.

"(Ressalto) a importância de manter a durabilidade dessa conquista, que foi a União Europeia, da qual todos nós, mesmo que não sejamos da zona do euro, precisamos."

Bulgária

O encontro empresarial foi um dos compromissos da presidente nesta quarta-feira, o primeiro de dois dias de visita oficial ao país.

Pela manhã, ela depositou uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido e encontrou-se com as duas principais autoridades do país: o presidente Georgi Parvanov e o premiê Boiko Borisov.

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Image caption Viagem tem caráter 'emocional', mas visa estreitar laços comerciais com a Bulgária, disse presidente

Por sua "contribuição extraordinária às relações bilaterais entre Brasil e Bulgária", ela recebeu a maior honra do país - a Ordem Stara Planina. Em contrapartida, ela conferiu ao presidente Parvanov a Ordem do Cruzeiro do Sul.

Em três pronunciamentos na Bulgária, ela disse que não esconde "os vínculos emocionais de sua viagem" - que foi feita para que ela pudesse visitar a cidade natal de seu pai - mas que pretende aproveitar a situação para melhorar as relações comerciais entre os dois países.

O volume de comércio entre Brasil e Bulgária é quase insignificante - equivalente a 0,05% da pauta brasileira de exportações - mas nos três anos anteriores à crise financeira de 2008 essa corrente chegou a triplicar. Tanto Dilma quanto Parvanov disseram esperar que a visita oficial consiga reverter a tendência de queda dos últimos anos.

A presidente destacou a venda de jatos da Embraer para a Bulgaria Air, neste ano, e a intenção da Marcopolo de participar de licitações para a venda de ônibus ao sistema de transporte público búlgaro. Em contrapartida, o presidente da Embrapa, Pedro Antônio Arraes Pereira, integrou a comitiva para conhecer o mercado de fertilizantes do país, que pode gerar negócios no Brasil.

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