Chávez lança frente para recuperar eleitores rumo às eleições de 2012

Atualizado em  7 de outubro, 2011 - 06:07 (Brasília) 09:07 GMT
Hugo Chávez, presidente da Venezuela. Reuters

Chávez teve de quebrar a resistência interna à coalizão em seu partido, o PSVU

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, lança nesta sexta-feira o chamado Polo Patriótico, a coalizão de partidos e movimentos políticos que irá apoiar a campanha para sua reeleição em 2012.

A ofensiva busca recuperar os votos perdidos pelo presidente nos últimos anos. Segundo políticos ligado à bancada chavista, a insatisfação desses eleitores diz respeito principalmente à burocratização e à ineficiência do governo na gestão de várias áreas.

"É preciso começar a construir o grande polo hegemônico para cuidar e defender a pátria", afirmou Chávez, em uma declaração feita por telefone a um programa da TV estatal.

O método de rearticular as forças pró-governo em uma mesma plataforma foi utilizado por Chávez em 1998, quando foi eleito presidente.

Na época, organizações sociais, políticos e indivíduos de diferentes tendências se aglutinaram ao redor de Chávez.

"A ideia do Polo não é uma frente eleitoral e sim um movimento de movimentos (sociais) que possa ir além do eleitoral", afirmou o deputado Fernando Soto Rojas, presidente do Parlamento venezuelano e coordenador do Polo Patriótico. Para ele, a coalizão deve marcar os rumos do governo em um eventual novo mandato presidencial.

O retorno da estratégia rompe a hegemonia do partido de Chávez, o PSVU, e mostra a necessidade do presidente de recuperar parte da base chavista descontente com o governo.

"Há um crescente descontentamento devido à ineficiência e altos níveis de burocratização expressados por alguns políticos e instituições", afirmou à BBC Brasil Orlando Zambrano, deputado da bancada governista.

Zambrano, que também é dirigente da Frente Camponesa Ezequiel Zamora, um dos principais movimentos sociais do país, vê riscos na candidatura à reeleição de Chávez se não houver participação real das organizações sociais na campanha.

"São os movimentos que conseguem uma inserção real junto à população. Sem a participação dessa base (de apoio), há o perigo de que o presidente não seja reeleito", afirmou.

Disputa interna

Chávez teria interpretado que há uma distância entre o trabalho político dos partidos e a vida social e diária das frentes sociais que dão respaldo a seu governo.

O mandatário venezuelano manifestou essa preocupação há meses, quando convocou a criação do Polo Patriótico.

De acordo com fontes do governo, a proposta teria encontrado resistência entre os setores conservadores do partido governista PSUV, criticado pelo papel centralizador no governo.

O líder venezuelano, que esteve parcialmente fora da cena política nos últimos meses para tratar de um câncer, somente agora teria vencido a queda de braço interna.

Para o analista político Carlos Romero, o PSUV não se converteu no "sonhado" partido de massas e não soube desempenhar um papel de "reitor" da aliança chavista, assumindo características monopolizadoras.

"Os venezuelanos não gostam de um controle tão estreito como o PSUV pretendeu desempenhar", afirmou Romero à BBC Brasil.

Câncer

Outra "batalha" ainda incerta para a campanha em 2012 é a saúde do presidente. Chávez disse ter derrotado o câncer e que "em poucas semanas estará na rua" novamente.

Para Carlos Romero, além de ter de chegar com saúde para enfrentar as decisivas eleições presidenciais, Chávez terá que mostrar, nos próximos meses, que pode enfrentar os dois principais problemas que preocupam os venezuelanos: insegurança e falta de emprego.

"O candidato opositor tem vantagem neste aspecto porque pode oferecer futuro. Chávez não, ele governa e tem que mostrar agora que pode mudar e resolver esses problemas", afirmou.

Desde que foi diagnosticado com câncer, a popularidade de Chávez foi alavancada, deixando para trás o índice de 48% que preocupava o governo e renovava a esperança de seus opositores.

De julho à setembro a aprovação de Chávez subiu dez pontos, maior índice registrado nos últimos dois anos, ao alcançar 58,9% de aceitação, de acordo com pesquisa realizada pela consultoria Datanalisis.

Esses números impõem, no entanto, outro desafio para o governo: converter a popularidade do presidente em votos e recuperar cerca de dois milhões de eleitores que deixaram de votar no chavismo depois das eleições presidenciais de 2006.

Chávez, por enquanto, mostra-se cauteloso. "Não é para cantar vitória ainda", afirmou.

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