Jovens são os mais afetados por desemprego nos EUA

Ocupe Wall Street. Getty Direito de imagem Getty
Image caption Desemprego atinge 11,3% da população hispânica, 16% dos negros e apenas 8% dos brancos

Os dados mais recentes sobre o desemprego nos Estados Unidos, divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento do Trabalho, revelam um cenário com quase nenhum avanço nos últimos meses, no qual os jovens são os mais afetados.

Se entre a população geral, a taxa de desemprego é de 9,1% (patamar inalterado desde julho), entre os adolescentes (16 a 19 anos) o índice sobe para 24,6%.

Essa taxa é cerca de três vezes maior que a registrada entre homens (8,8%) ou mulheres (8,1%) com idade acima de 20 anos.

Diante desse cenário de poucas perspectivas, foram os jovens que deram início ao movimento batizado de Ocupe Wall Street, que há três semanas vem protestando contra o desemprego e o auxílio do governo às grandes corporações.

O protesto, nascido em Nova York, onde um punhado de jovens resolveu montar acampamento perto de Wall Street para protestar, continua crescendo e hoje engloba americanos de todas as idades.

O movimento vem ganhando a adesão de sindicatos de trabalhadores, associações de estudantes, ativistas e da população em geral, e já se espalha por dezenas de cidades dos Estados Unidos e até pelo exterior.

Simpatia

Nos últimos dias, diversas autoridades fizeram declarações simpáticas ao movimento. Na quinta-feira foi a vez de o presidente Barack Obama dizer que os protestos expressam a “frustração” sentida pelos americanos.

No último mês, Obama tem viajado pelo país para promover um plano de geração de empregos no valor de US$ 447 bilhões (cerca de R$ 808 bilhões).

A proposta, porém, encontra resistência no Congresso, onde a oposição republicana controla a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados).

O desemprego é considerado uma das principais preocupações dos americanos e tem sido tema constante da campanha para as eleições presidencias do ano que vem, nas quais Obama vai buscar um segundo mandato.

Segundo o Departamento do Trabalho, 14 milhões de americanos estão desempregados. Desses, 6,2 milhões estão há mais de seis meses procurando emprego.

Enquanto a taxa é de 8% entre americanos brancos, sobe para 11,3% entre a população hispânica e para 16% entre os negros.

Como a pesquisa leva em conta apenas os trabalhadores que estão em busca de emprego (e não inclui aqueles que desistiram de encontrar uma vaga), os números podem ser bem mais altos.

Quando são incluídos nas estatísticas pessoas que são forçadas a trabalhar apenas meio período por não conseguirem encontrar empregos com turno completo e aqueles que desistiram de procurar emprego, a taxa total de desemprego cresce para 16,5% em setembro (era de 16,2% em agosto).

Novas vagas

O relatório de setembro revela que foram gerados 103 mil empregos nos Estados Unidos, acima dos cerca de 50 mil esperados por analistas.

O Departamento do Trabalho também revisou os dados relativos a agosto – que antes eram de zero – para 57 mil novas vagas criadas.

Apesar do aumento, economistas ainda consideram o mercado de trabalho fraco e não descartam a possibilidade de uma nova recessão no país.

"O relatório de empregos de setembro veio melhor do que o esperado, mas não pode ser descrito como forte", diz o analista Nigel Gault, economista-chefe da consultoria IHS Global Insight.

Segundo Gault, é "ilusório" pensar que o aumento na geração de vagas em setembro – assim como os números revisados para cima de agosto e julho – signifiquem um fortalecimento do mercado de trabalho.

O analista alerta para uma distorção nos números de setembro, que incluem 45 mil funcionários da Verizon que estavam em greve em agosto e retornaram ao trabalho no mês passado.

Se esses trabalhadores forem deixados de fora da conta, o total de vagas gerados em setembro cai para apenas 58 mil.

"É animador que, apesar dos choques sofridos em agosto e setembro por conta da crise sobre o aumento do teto da dívida pública americana e da crise de dívida na zona do euro, a criação de empregos ainda se mantenha em um território positivo e nós não estejamos em recessão", afirma Gault.

"Mas as tendências recentes continuam perigosamente próximas a uma estagnação da economia. Falta muito para estarmos fora de perigo."

Notícias relacionadas